Galo: Classificou sem convencer!
O futebol é uma fábrica de ironias. E o Atlético resolveu abrir uma filial industrial em 2026.
Outro dia entregou empate para o Botafogo no apagar das luzes. Depois fez caridade com o Juventude na Sul-Americana. Aí, quando todo mundo já estava preparando o velório, o tal do Everton, que vinha sendo crucificado em praça pública, resolve virar santo de procissão e classifica o Galo na Copa do Brasil. Tudo isso na prorrogação, porque sofrer pouco nunca fez parte do estatuto atleticano.
Agora, não me venha com conversa mole, Barba! Você pega um time com essa defesa de vidro temperado e inventa de jogar retrancado? Meu amigo, isso é como guardar dinheiro em bolso furado. O Ceará percebeu rapidinho que ali tinha mais espaço que estacionamento de shopping em segunda-feira.
E olha os números da tragédia: expulsão com quatro minutos, dois chutes a gol em 103 minutos de partida e uma classificação que nem o mais fanático dos atleticanos consegue explicar sem ficar vermelho de vergonha. O futebol, às vezes, é um vigarista sentimental. Premia quem não merece só para manter o circo funcionando.
Mas vou lhe dizer uma coisa, Eduardo Domínguez: conheço o Galo como quem conhece as rachaduras da própria casa. Se a classificação não viesse ontem, hoje cedo já tinha conselheiro reunido, dirigente desligando telefone e jornalista plantado em porta de aeroporto. A fumaça branca da sua demissão estaria subindo antes do almoço.
E quer saber? Nem acho que a culpa seja só do treinador. Com esse elenco remendado, meu caro, nem Guardiola, Telê Santana e o velho Feola juntos davam jeito. O Atlético virou um time cansado, torto, sem confiança e sem alma. Parece sujeito que perdeu o ônibus, o emprego e a namorada tudo na mesma semana.
A solução? Já falei faz tempo: janela de transferência. Venda, contratação, faxina e reza brava. Porque insistir nesse elenco é igual tentar ganhar Fórmula 1 com fusca sem freio.
A sorte, veja você o tamanho da desgraça, é que apareceu a parada da Copa do Mundo como bóia para afogado. O calendário salvou o Atlético de si mesmo. Dá tempo de respirar, contratar e talvez devolver ao torcedor aquilo que ele mais sente falta: esperança.
Porque esse primeiro semestre de 2026 foi daqueles que deveriam vir com tarja preta e recomendação médica: “não reveja os melhores momentos”. Mas o futebol é traiçoeiro, e o atleticano é um bicho movido a sofrimento e fé. Já atravessou infernos bem piores.
E digo mais: o segundo semestre promete. Não porque o Galo esteja jogando bola. Nada disso. Promete porque piorar desse jeito já vira fenômeno paranormal.
Né não?
Afonso Canabrava
- Instagram: @afonsocanabrava
Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
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