Copa do Mundo: Qual a grande verdade? Canabrava em Campo

Brasil x Marrocos Brasil x Marrocos
Copa do Mundo: Qual a grande verdade? Canabrava em Campo. Foto: IA.

Copa do Mundo: Qual a grande verdade?

Dizem que jogador versátil é uma maravilha no futebol moderno. Pode jogar de lateral, volante, meia, ponta, zagueiro, roupeiro e, se apertar muito, até vender cachorro-quente na arquibancada. Bonito no discurso. O problema é quando o técnico acredita tanto nessa conversa que resolve transformar a Seleção Brasileira numa convenção de improvisos em plena Copa do Mundo.

Na estreia contra o Marrocos, o Brasil parecia um sujeito que saiu para uma festa sem saber se era casamento, velório ou carnaval. Cada jogador ocupava um lugar diferente daquele em que costuma brilhar. Ibañez apareceu na lateral direita como quem caiu de paraquedas numa reunião errada. Não deu certo. Saiu no intervalo. Entrou Danilo, que pelo menos conhece o caminho da defesa, mas atacou com a empolgação de um fiscal da Receita Federal.

No meio-campo a confusão continuou. Paquetá, que havia mostrado futebol jogando por dentro, foi parar pela direita e passou boa parte do jogo procurando o GPS. Raphinha, que no Barcelona faz estrago pela esquerda, ficou rodando pelo gramado até descobrir que o melhor lugar para jogar futebol continua sendo aquele onde ele joga melhor. Uma descoberta revolucionária, digna de prêmio científico.

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O problema não está nos jogadores. Está nessa mania moderna de querer reinventar a roda. Carlo Ancelotti é um dos maiores técnicos do mundo e não precisa provar nada para ninguém. Mas parece que embarcou naquela doença que acomete alguns treinadores quando chegam à Seleção: a síndrome do Professor Pardal. Em vez de colocar cada um onde rende mais, resolve fazer experiências que nem cientista maluco faria num laboratório.

E aí aparece o verdadeiro drama brasileiro: falta quem pense o jogo no meio-campo. Falta quem pegue a bola, levante a cabeça e encontre os atacantes. Convocaram poucos armadores e o resultado foi um ataque estrelado recebendo a bola em prestações, como financiamento de carro.

Mas nem tudo foi tristeza. Vini Júnior jogou bola de gente grande. Chamou a responsabilidade, encarou os marroquinos, brigou, liderou e ainda salvou o empate. Desde a última Copa, o Brasil procura desesperadamente um protagonista. Parece que finalmente encontrou um. Enquanto alguns procuravam posição em campo, Vini encontrou a sua: a de dono do time.

O empate contra o adversário mais complicado da primeira fase não é um desastre. Também não é motivo para desfile em carro de bombeiros. O hexa continua longe, mas continua vivo. Agora, se Ancelotti quiser encurtar a viagem, talvez seja uma boa ideia fazer uma descoberta revolucionária: colocar os jogadores onde eles sabem jogar. E, já que estamos falando em mistérios da humanidade, alguém poderia explicar para o povo brasileiro o que Endrick e Rayan foram fazer nos Estados Unidos? Turismo de Copa também conta como convocação?

A Copa apenas começou. Mas uma coisa já ficou clara: quando a invenção entra demais em campo, o futebol costuma sair pela porta dos fundos.

Né não?

Afonso Canabrava

Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.

  • As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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