Galo: agora vai! Canabrava em Campo

Torcedor mirim do Galo Torcedor mirim do Galo
Galo: agora vai! Canabrava em Campo. Foto: Pedro Souza/CAM.

Galo: agora vai!

O atleticano é um sujeito engraçado. Quando tá tudo ruim, ele grita. Quando melhora um tiquinho, ele já encomenda foguete, compra faixa e começa a procurar passagem pra final da Sul-Americana e da copa Brasil. E vou te falar uma coisa: desta vez tem fumaça saindo da churrasqueira. Se vai ter carne, aí já é outra conversa.

O Galo arrumou 530 milhões no caixa pra pagar dívida. Veja bem: não é pra contratar o Pelé reencarnado, nem trazer o Mbappé do Real Madri. É pra pagar conta. O Atlético estava parecendo aquele tio que recebe salário no quinto dia útil e no sexto já deve até pro açougueiro.

Os juros bancários batiam 250 milhões por ano. Duzentos e cinquenta! Isso não é dívida, isso é sequestro financeiro. Agora garantem que cai pra 125 milhões. Quer dizer: o atleticano continua sofrendo, mas pelo menos o banco sofre junto.

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E no meio desse aperto todo aparece proposta milionária pelo menino Gabriel Veneno. O nome já ajuda. Jogador da base do Galo nasce assim: ou vira craque ou vira negociação. O importante é que o Atlético classificou pra Copa do Brasil e Sul-Americana, começou a limpar a folha de pagamento daquele pessoal que só treinava pra aparecer no holerite e, pela primeira vez, o torcedor tá olhando pro horizonte sem precisar chamar o SAMU emocional.

O técnico Eduardo Domingues sabe que agora não pode errar. Contratar jogador errado hoje é igual casar bêbado em Las Vegas: quando acorda, já perdeu patrimônio, paz e campeonato.

E tem mais: as más línguas, que em Minas trabalham em tempo integral, juram que a família Menin, agora dona de 87% da SAF, vai arrumar a casa pra trazer investimento estrangeiro. Não sei. Mas também não vou reclamar. Sem dinheiro ninguém compete na “prateleira” de Flamengo e Palmeiras. Futebol moderno é cruel: quem não tem caixa forte acaba brigando por lateral emprestado e atacante com “vídeo bom no YouTube”.

Agora, convenhamos: empresário gosta mesmo é de dinheiro. O filho do Menin falou que ia se afastar da SAF. O pai decidiu aumentar participação e, de repente, talvez ele fique. Milagre? Não. Mercado financeiro com camisa do Galo.

Mas o que anima o povo mesmo é a bola rolando. Bernard ressuscitou. Voltou com aquela alegria nas pernas de menino solto no campinho da rua. Cuello virou dono do pedaço. Junior Alonso, eu garanto, vai ser o primeiro a ir embora; Everton já deveria estar na Seleção faz tempo. E o atleticano, já começa a acreditar.

Porque o torcedor do Galo é assim: apanha da vida, desconfia de tudo, xinga dirigente, reclama do juiz, ameaça largar o futebol, mas basta aparecer um ponta driblando e uma vitória fora de casa que ele já olha pro céu e pergunta: será que agora vai?

Né não?

Afonso Canabrava

Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.

  • As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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