“Brumadinho não será uma segunda Mariana”

Mateus Simões, secretário-geral de Minas Gerais, comentou o não acordo financeiro com a mineradora Vale

“Brumadinho não será uma segunda Mariana”
Karoline Barreto/CMBH

A segunda reunião de conciliação entre o governo de Minas Gerais, partes interessadas e a mineradora Vale terminou sem acordo novamente. A audiência aconteceu no Tribunal de Justiça. Um novo encontro foi marcado para tratativas no próximo dia 9 de dezembro. Durante a audiência manifestações contra a Vale aconteceram na porta do TJ.

O governo de Minas solicita o pagamento de R$54 bilhões de reparação aos danos socioambientais provocados pelo rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, em janeiro do ano passado. A Vale, em contraproposta, ofereceu R$21 bilhões, valor que foi imediatamente recusado.

“A realidade é que esperávamos avançar mais, mas informamos a eles que não aceitamos o valor oferecido e que não achamos apropriadas as condições que a Vale ofereceu. Colocamos uma série de temas para análise da mineradora e eles solicitaram um prazo maior para poderem se manifestar. Discutiremos valores depois que estes temas de organização do acordo sejam superados. Não estamos dispostos a aceitar que Brumadinho se transforme em uma segunda Mariana”, informou o secretário-geral do Estado de Minas Gerais, Mateus Simões.

De acordo com Simões, o valor apresentado pela Vale não cobre nem mesmo os danos materiais que a tragédia acarretou a população local e à Minas. “Vale lembrar que pela petição já apresentada pelo Estado apenas de danos materiais estamos falando de R$26 bilhões. Esses são danos sofridos pela economia e Estado não só em Brumadinho, mas também nas cidades da calha do Paraopeba. Precisamos garantir pelo menos a reconstituição destes valores, além dos danos morais também citados. Mas neste momento o maior problema não são os valores oferecidos, e sim a governança, o formato do acordo. Precisamos de um acordo efetivo capaz de ser revertido para a população”.  

Estiveram presentes na audiência a Vale e o Estado de Minas Gerais, representado pela Advocacia Geral do Estado (AGE) e da União (AGU), Ministério Público Estadual (MPE) e Federal (MPF), e Defensoria Pública Estadual (DPE) e Federal (DPF).