Como conheci a Dupla Poda

Três pessoas posam sorrindo ao lado de um motorhome branco com a logomarca “Wine World Adventure”, estacionado à beira de uma estrada deserta, sob céu azul. O veículo exibe bandeiras de diversos países e a bandeira do Brasil na traseira. Ao fundo, uma vasta paisagem árida se estende até o horizonte. Três pessoas posam sorrindo ao lado de um motorhome branco com a logomarca “Wine World Adventure”, estacionado à beira de uma estrada deserta, sob céu azul. O veículo exibe bandeiras de diversos países e a bandeira do Brasil na traseira. Ao fundo, uma vasta paisagem árida se estende até o horizonte.
Professor Horácio Barros e seus filhos, Pedro Henrique e Natália, em jornada pelo mundo a bordo do motorhome do projeto Wine World Adventure. Foto: Horácio Barros arquivo pessoal.

Como conheci a Dupla Poda

Minhas aventuras pelo mundo do vinho começaram após a realização do primeiro curso básico de vinhos, no início dos anos 2000. Até então, eu era apreciador de uísque, coquetéis e cervejas especiais.

A “mosca” da vitivinicultura me picou. Estudei muito e comecei a participar de degustações. Aventurei-me em visitas a vinícolas no Sul do Brasil. Degustei milhares de vinhos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Cerca de um ano e meio antes da minha aposentadoria (engenheiro em uma empresa siderúrgica), comecei a planejar meus anos sabáticos. Em janeiro de 2012, a bordo de um motorhome, parti para dar a volta ao mundo com o objetivo de visitar as principais regiões produtoras de vinho, acompanhado dos meus filhos: Pedro Henrique (fotógrafo) e Natália (fisioterapeuta), que interromperam suas carreiras para acompanhar este aventureiro obstinado, ousado e, talvez, um pouquinho “maluco”.

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Motorhome do projeto Wine World Adventure cruza o complexo fronteiriço Los Libertadores, na Cordilheira dos Andes, entre Chile e Argentina. O veículo branco exibe bandeiras de diversos países e logos de patrocinadores, sob um céu azul intenso e rodeado por montanhas áridas e rochosas.
Motorhome do Wine World Adventure cruzando a fronteira Chile-Argentina, rumo às vinícolas da Cordilheira dos Andes. Foto: Horácio Barros arquivo pessoal.

Foi uma experiência incrível: quatro continentes, 34 países visitados, 43 regiões vinícolas, 162 vinícolas conhecidas e 2.951 vinhos degustados. Dois anos e três meses de estrada, explorando vinícolas das Américas, Europa, África do Sul e Oceania. Tudo foi documentado no site: www.wineworldadventure .

Essa grande aventura gerou frutos. Após retornar ao Brasil, em 2014, fundei a Escola Itinerante de Vinhos, com a missão de levar toda essa expertise internacional às cidades do interior de Minas Gerais.

Em 2016 ou 2017, durante uma palestra no festival Vinhos e Jazz, em Tiradentes, alguém bateu à porta do meu motorhome. Para minha surpresa, era o pesquisador da Epamig, Murillo Albuquerque Regina. Com um olhar curioso, ele queria saber o que fazia ali aquele motorhome todo adesivado, alusivo ao projeto Wine World Adventure.

Resumidamente, contei minhas peripécias mundo afora, visitando vinícolas. Murillo então compartilhou comigo suas pesquisas, que buscavam modificar o ciclo da videira em Minas Gerais, a fim de escapar do regime intenso de chuvas no verão – fator que, geralmente, compromete a qualidade das uvas e dificulta a produção de vinhos finos.

Foi nesse contexto que ele me apresentou o primeiro Vinho de Inverno, fruto dessa proposta inovadora: o Syrah Primeira Estrada – o primeiro Vinho de Inverno do mundo. Ainda jovem, com grande potencial de evolução, mostrou-se macio, estruturado e com retrogosto longo. Um vinho diferente, equilibrado e de alta qualidade. Que surpresa! Que vinhaço!

Comecei a compará-lo aos grandes vinhos que havia degustado pelo mundo. Mas surgiu a dúvida: em qual estilo internacional ele se encaixaria? Europeu? Novo Mundo? Algo diferente estava surgindo nas minhas Minas Gerais, mais precisamente no Sul do estado.

Eu precisava de uma resposta segura, baseada em fundamentos, e não em “achismos”. Para isso, seria necessário mergulhar profundamente na teoria da Dupla Poda. Sentir a regionalidade, compreender o terroir, vivenciar as dificuldades de implantação dessa técnica em uvas Vitis vinifera. Precisava observar as características climáticas da colheita no inverno, sentir as altitudes da Serra da Mantiqueira, entender o manejo específico das videiras, além de identificar as influências da amplitude térmica e da alta altitude dos vinhedos, fatores decisivos para se obter uvas de alto potencial enológico.

Após o sucesso desse primeiro Vinho de Inverno, novos vinhedos começaram a surgir. Era necessário entender o que estava acontecendo com essa nova proposta de colher uvas no inverno – algo inédito, já que em todos os continentes as uvas amadurecem entre o verão e o outono.

Meu espírito aventureiro voltou a se inquietar. Passei, então, a reservar dois meses por ano da minha aposentadoria para viajar – inicialmente pelo Sul de Minas. Meu motorhome acompanhou de perto toda a expansão da Dupla Poda, que se espalhou por todas as mesorregiões mineiras, cruzou a fronteira com São Paulo, alcançou a Serra dos Encontros, percorreu a Serra da Mantiqueira, alcançou parte do Rio de Janeiro (regiões próximas a Areal e Teresópolis) e, timidamente, chegou ao Espírito Santo. Depois, ganhou força em Goiás, fez pipocar vinhedos ao redor de Brasília e alcançou o norte no centro-sul da Bahia, em Mucugê, desviando à esquerda até o Pantanal Mato-Grossense.

Wine World Adventure

Visitei centenas de vinhedos que surgiram ao longo dos últimos 20 anos. Degustei cerca de 500 Vinhos de Inverno. Senti o terroir de cada estado do Sudeste e Centro-Oeste. E, enfim, obtive a resposta para aquela pergunta que tanto me inquietava: “Qual é o estilo dos Vinhos de Inverno?”

Essa resposta, você, leitor do Balcão News, está prestes a descobrir.

Convido você a refazer comigo, virtualmente, todo esse caminho da Dupla Poda, lendo minhas colunas semanais. Vamos explorar muita teoria, ouvir causos, descobrir rotas de viagens enoturísticas pelos estados do Sudeste e Centro-Oeste. Compartilharei dicas de vinhos e vinícolas para você organizar seus próprios roteiros e experiências.

A Dupla Poda é um novo universo. Um fato histórico que está revolucionando a qualidade dos vinhos brasileiros. O tema já desperta curiosidade internacional, e você não pode perder nenhuma sequência desta transformação – dos fundamentos técnicos aos motivos que justificam a aplicação dessa técnica inovadora.

O melhor dessa aventura é você quem vai degustar…

Acompanhando minhas colunas, todas às quintas-feiras.

Quem é Horácio Morais Barros

Horácio Morais Barros é engenheiro siderúrgico, professor de vinhos da ABS/MG e fundador da Escola Itinerante de Vinhos.

Ao se aposentar, idealizou o projeto Wine World Adventure – uma volta ao mundo do vinho, a bordo de um motorhome, visitando os 24 principais países produtores de vinho, ao longo de dois anos e três meses, entre 2012 e 2014. Foram 90 mil quilômetros de estrada, atravessando quatro continentes, 43 regiões vinícolas, com visitas a 162 vinícolas e degustação de 2.951 vinhos, todos devidamente anotados e avaliados.

Essa jornada foi documentada no site: www.wineworldadventure.com

Ao retornar ao Brasil, a partir de 2016, passou a dedicar suas viagens ao aprofundamento na inovadora prática da Dupla Poda, visitando mais de 100 vinícolas que aplicam essa técnica – reconhecida por gerar vinhos de alta qualidade.

Essa rica experiência internacional, somada ao profundo conhecimento dos vinhos brasileiros, especialmente os Vinhos de Inverno (produzidos por meio da Dupla Poda), motivou o professor Horácio a escrever o e-book “Minhas Aventuras pela Dupla Poda”.

Na obra, ele apresenta um guia com 350 Vinhos de Inverno degustados e avaliados, auxiliando enófilos na escolha de rótulos produzidos nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal, Bahia e Mato Grosso.

Este é o primeiro livro escrito no Brasil sobre a Dupla Poda, constituindo um verdadeiro legado. A publicação traz informações valiosas sobre a técnica, suas vantagens, desde a implantação até sua maturação, sendo ricamente ilustrada com mapas e rotas das novas regiões vinícolas que estão surgindo no Sudeste e no Centro-Oeste do país.

Esse legado será transformado em reportagens exclusivas para o Balcão News, publicadas todas as quintas-feiras, explorando os temas ligados a essa nova região produtora e à nova fronteira da vitivinicultura nacional – uma novidade que já desperta interesse internacional.

Nas colunas, o professor Horácio abordará uma variedade de temas relevantes: a linha do tempo da implantação da Dupla Poda, suas histórias e “causos”, sua mineralidade levada a outros estados, as vantagens da técnica, o perfil dos Vinhos de Inverno, as uvas que prosperaram e aquelas que não se adaptaram.

Será uma oportunidade para você, leitor, percorrer os caminhos trilhados pelo motorhome do professor por essas novas regiões vinícolas do Brasil. Vamos juntos explorar as novas rotas do enoturismo, começando por Minas Gerais, todas as quintas-feiras.

A coluna terá o título: Minhas viagens de motorhome pelo mundo do vinho.

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