O estilo do Sauvignon Blanc da Dupla Poda
No artigo anterior, comentei sobre os estilos dos Vinhos Syrah, Colheita de Inverno, dos estados do Sudeste e Centro-oeste, comparando-os, com os Syrahs das principais regiões produtores de vinhos do mundo.
Esta casta tinta tornou-se a emblemática tinta da Dupla Poda. É a rainha da Dupla Poda, com cerca da metade da área dos vinhedos, tendo como coadjuvantes: a Cabernet Franc e a Marselan.
Antes de apresentar minha visão do perfil dos Vinhos Sauvignon Blanc Colheita de Inverno é interessante viajar pelos principais países ou regiões dos ppara identificar o perfil de cada terroir pelas principais regiões vinícolas do mundo que se destacam com esta importante casta internacional, objetivando entender ou comparar os estilos dos vinhos Sauvignon Blanc dos estados de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal.
A Sauvignon Blanc é a terceira casta mais importante do mundo, comercialmente falando, e a segunda enologicamente falando, depois da Chardonnay. Ela não poderia ficar fora desta novíssima vitivinicultura de inverno. E surgiu de maneira esplendida, adaptando-se de forma magnifica, com a prática da Dupla Poda, tornando a branca emblemática do Sudeste e Centro-oeste do Brasil, destacando-se entre as coadjuvantes: Viognier e Chenin.
De maneira global o seu perfil internacional se apresenta: seco, elevada intensidade aromática, perfumados. Proposta de jovialidade (não é um vinho de guarda). São elaborados para serem deglutidos jovens, nos seus primeiros três anos de vida. No nariz, tendência a “aromas verdes” de grama recém-cortada, aspargo e principalmente, o maracujá. Na boca, de corpo leve e um frescor marcante que abre o apetite para os petiscos, na beira da praia, as 10:00 horas.
Apesar deste perfil – padrão, os estilos podem variar, dependendo se esta casta é cultivada em clima frio ou quente, ou com influências marítimas ou de acordo com o reservatório destinado a sua fermentação ou amadurecimento em barris, caso menos comum.
As principais localidades onde se ela se expressa de maneira espetacular e com perfis marcantes são:
- Vale do Loire, França
- Sul de Bordeaux
- Nova Zelândia, Marlborough
- Casablanca, Chile
- África do Sul
- Estados Unidos
- Friuli-Venezia-Giulia, norte da Itália
- Brasil: Santa Catarina e Campos de Cima da Serra e recentemente no Sudeste e Centro-oeste do Brasil
Ela é uma casta que prefere regiões frias, aromas e sabores de maracujá um pouco verde, lima, aspargo e ervas frescas e até mesmo podendo surgir notas inusitadas, descritas como “xixi de gato”, quando não atingem maturações suficientes.
Em climas cálidos, ela amadurece muito rapidamente com tendência de vinhos com sabor de maça madura e pouca acidez, perdendo seu poder picante e o herbáceo que é sua principal característica.
Raramente, ela passa em barricas de carvalho, o que remete a dois grandes grupos com relação aos reservatórios de vinificação: em tanques de aço de inox ou em tanques de concreto, que geram perfis totalmente diferentes, entre si. Este fato é explicado porque o amadurecimento em barris de carvalho tende a mascarar seus aromas primários, perdendo o frescor e sua acidez marcante.
O berço da Sauvignon Blanc
O berço do Sauvignon Blanc é no Vale do Loire, França, onde surgem vinhos elegantes, com acidez marcante, devido ao solo granítico, que aporta uma certa mineralidade (sílex) ao vinho. No nariz surgem: a maçã verde e algo diferente, a pedra molhada, deixando de lado a proposta de exuberantemente frutado. Os melhores exemplares do Vale do Loire surgem nas regiões de Sancerre e Pouilly-Fumé, onde pode surgir algo defumado, (pederneira: pedra de isqueiro), com toques de limão, notas herbáceas menos proeminentes e uma acidez bem posicionada.
A estrela brilha na Nova Zelândia
Fora da França, a Sauvignon Blanc encontrou seu berço na Nova Zelândia, principalmente na região de Marlborough, extremo norte da Ilha Sul, uma das melhores áreas do mundo para o cultivo da Sauvignon Blanc, onde se expressa de forma magnífica, aromas intensos de maracujá, com notas herbáceas no fundo (sem excesso) e com toques de grama cortada. Frescor e equilíbrio, frutados, limpos e estruturados, sem estágio em carvalho. Entre os melhores do mundo com esta casta, em estilo diferente dos brancos do Loire.
No Chile a casta branca mais cultivada
Nos locais quentes do Vale Central do Chile os aromas se mostram mais maduros, próximos a maçãs vermelhas, pêssego ou marmelo ou maracujá maduro.
Mas, os melhores estão na região de Casablanca, onde a influência do Oceano Pacífico, clima mais frio do que o Vale Central, amenizado pelo nevoeiro que surgem nas áreas próximas da costa, nas áreas se San Antonio, Leyda. Este micro-clima permite que a Sauvignon Blanc ressalte seu lado mineral, seu frescor, vivo e vibrante, cítrico e um vegetal marcante, entre os melhores exemplares do mundo, remetendo a notas intensas de frutas cítricas, lembrando o limão ou lima e toque de maracujá.
Na África do sul a Sauvignon Blanc tem seu próprio estilo
As temperaturas moderadas e a influência da corrente de Benguela e do vento frio “Doctor”, oriundo dos dois Oceanos: Atlântico e do Índico, ajudam a manter a acidez das uvas, enquanto a exposição ao sol quente favorece o desenvolvimento de aromas intensos, vibrantes e frescos, combinado com notas tropicais e toques cítricos com um caráter herbáceo, oriundos das uvas colhidas, principalmente das regiões vinícolas de Stellenbosch e Elgin.
Norte da Itália – um friozinho para a Sauvignon Blanc
Os Sauvignon Blanc da Itália de Friuli-Venezia-Giulia, região fria, influenciada pelas brisas frescas do mar Adriático, mantêm temperatura amena, proporcionado aos vinhos um marcante frescor, notas cítricas, com leve herbáceo e toques minerais, devido aos solos de cascalho.
Excêntrico e estilo exótico na Califórnia
Os Sauvignon Blancs californianos apresentam algo diferente: fruta madura, fermentado em barris de carvalho que aporta aromas e sabores defumados, tostadas e de baunilha, e um estilo de percepção de aromas e sabores defumados, em estilo diferente das versões tradicionais, mais leves e herbáceos percebido na maioria dos vinhos Sauvignon Blanc espalhados pelo mundo. Em uma jogada de marketing americano foi denominado, estilo: “Fumé Blanc” (“branco defumado, em francês), tentando uma analogia aos vinhos Sauvignon Blanc Pouilly-Fumé, – branco seco e mineral, de alta qualidade, produzido na região de Pouilly-sur-Loire, no Vale do Loire, França, com tendência de apresentar notas de pedra de sílex ou fumaça, vindas do terroir rico em calcário e sílex, em uma proposta de contraste aos vinhos brancos da área vizinha Sancerre.
Ela encontrou um lugarzinho no Brasil
No Brasil, o estilo do Sauvignon Blanc de Santa Catarina apresenta elevada persistência aromática, toque mineral, um belo frescor e toques herbáceos, influenciados pelos “terroir” de altitude (900 a 1.400 metros), que lembra os estilos de clima frio, com temperaturas e solo predominantemente basáltico.
Sem exageros, esta casta tornou-se emblemática dos vinhos de Santa Catarina, onde as condições climáticas com variações extremas, elevada altitude, proximidade do oceano e em uma latitude em que a corrente marítima quente, oriunda do norte do Brasil se encontra com a corrente fria das Falkland, vindas do sul, geram um micro-clima atípico, de quatro estações, durante o mesmo dia, com amplitude térmica, oscilando entre 15oC (o que é muito maior que os 10oC das principais regiões produtoras do mundo), criando um quadro de elevada insolação diurna (alta taxa de fotossíntese) e noite fria que ajuda a preservar os ácidos.
Clima este, sintetizado por uma frase de Arnaldo Grizzo: “O Sauvignon Blanc de Santa Catarina é colocado de dia em uma estufa e a noite em um refrigerador”. Fiquem de olho nestes Sauvignon Blanc desta bela terra sulina.
Depois desta viagem pelos vinhedos de Sauvignon Blanc do mundo chegou a hora de apresentar os atípicos e diferenciados Vinhos Colheita de Inverno do Sudeste e Centro-oeste do Brasil. Eles têm algo diferente – um estilo diferente se comparado com as mais importantes regiões vinícolas que trabalham bem com esta casta.
Como ocorreu com a casta tinta Syrah a Sauvignon Blanc foi a uva branca que melhor se adaptou a prática da Dupla Poda.
Apesar de uma vitivinicultura muito nova, vou ser ousado, baseado em ter degustado 66 rótulos de Inverno com esta casta, comparando cada terroir, de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal. Os estilos variam, mas em sua maioria, quase todos mostram algo leve vegetal e um primor de frescor, reforçando a tese de que ela é a casta branca emblemática da Dupla Poda.
De maneira geral, nada de tropical, um paradigma, em nosso quente país, mas não se esqueçam que estamos falando da uva Sauvignon Blanc amadurecida no inverno, semelhante as melhores regiões frias do mundo que trabalham bem com esta casta.
A elevada amplitude térmica, em torno de 20 graus do inverno destes estados, proporciona a geração de um novo estilo internacional de Sauvignon Blanc, que prima pelo frescor, acidez marcante e leve toque herbáceo, em muitos deles, uma certa mineralidade, tornando-o complexo no nariz e sabores e com um corpo superior (estrutura) com relação aos exemplares internacionais.
E, o mais legal, é que o clima de inverno e os inclinados vinhedos da Serra da Mantiqueira com elevada altitude (700 a 1450 metros), ou a altitude média de 1.000 do Planalto Central e Chapada Diamantina, permitem um ciclo mais longo e lento de amadurecimento desta casta, preservando sua acidez marcante e um delicado herbáceo, com uma tendência de teor alcoólico, um pouco superior, aos Sauvignon Blanc, espalhados pelo mundo.
Meu Ranking dos Sauvignon Blanc, colheita de Inverno
Definir os top 10 Sauvignon Blanc da Dupla Poda não é uma tarefa fácil, apesar de eu ter degustado 66 rótulos. Muitos ficarão de fora, mas no meu e-book: “Minhas Viagens pela Dupla Poda” você terá acesso a lista completa.
Meus “top 10”
- Casa Correa & Medici Mantivino Sauv. Blanc 2024 – MG – Circuito das Águas
- Haras de Mascan Sauvignon Blanc 2023 – MG – Circuito das Águas
- Floresta São Pedro Sauvignon Blanc 2023 – SP – Espirito Santo do Pinhal
- Três Batalhas Sauvignon Blanc 2025 – SP – Águas da Prata
- Amana Sauvignon Blanc 2021 – SP – Espirito Santo do Pinhal
- Ar Puro Sauvignon Blanc – MG – Triângulo Mineiro
- Casa Verrone Sauv. Blanc 2023 – SP – Itobi
- Quartetto Sauvignon Blanc 2023 – Goiás – Cocalzinho de Goiás
- Villa Triacca Sauvignon Blanc – Distrito Federal
- Tassinari Sauvignon Blanc 2022 – RJ – São José do Vale do Rio Preto
Desejando conhecer, com profundidade este tema, segue o link do meu e-book: “Minhas Viagens pela Dupla Poda”:
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Professor Horácio Barros
Professor Horácio Barros é engenheiro siderúrgico, especialista em vinhos e fundador da Escola Itinerante de Vinhos. Referência nacional em Vinhos de Inverno e na técnica da Dupla Poda, é autor do e-book Minhas Aventuras pela Dupla Poda e colunista do Balcão News.
Conheça mais o trabalho do professor Horácio acessando:
Site: www.wineworldadventure.com
Instagram: @wineworldadventure
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