Produção da indústria mineira de fundição registra crescimento

Mesmo com a alta nos preços do ferro-gusa e da energia, o setor prevê fechar 2022 com avanço de 24%

Produção da indústria mineira de fundição registra crescimento

A indústria de fundição em Minas Gerais vem registrando recordes de produção. Depois de encerrar 2021 com crescimento de 28% em relação ao ano anterior, já ampliou a produção em 12,4% até maio e aposta em um resultado positivo para 2022 de 24% – performance que deve se estender ao País.

Só nas 275 plantas mineiras, a produção até maio foi de 290 mil toneladas. No País, foram 940 mil. “A tendência é aumentar, porque todas as plantas estão tomadas. Este é um número cobiçado por outras áreas da indústria e que nós conseguimos atingir mesmo com o aumento do ferro-gusa e da energia elétrica, ou seja, é uma demonstração da capacidade de gestão do setor”, comemora o presidente do Sindicato da Indústria da Fundição no Estado de Minas Gerais (Sifumg), Afonso Gonzaga.

Segundo o dirigente, o cenário político não traz receios. “Seja Bolsonaro, Ciro, Lula ou quem quer que seja, o País vive um processo que é um caminho sem volta. As licitações públicas de ferrovias e saneamento básico, por exemplo, fazem parte de uma estrutura preparada para que a indústria continue avançando”, garante.

Incertezas sempre vão fazer parte do panorama, afinal o principal insumo do setor, o ferro-gusa, começou a pandemia custando US$ 400, passou para US$ 850 e chegou a US$1.170 a tonelada. A guerra entre Ucrânia e Rússia, que são grandes produtores ao lado do Brasil, foi um dos fatores mais impactantes.

Hoje, o preço está em cerca de US$ 800 a tonelada. “Quando parou o fornecimento, os clientes vieram aqui buscar e, com a demanda, começou a dança de preços. Mas, agora, há um assentamento, no qual as variações vão continuar, mas em um mesmo patamar”, acredita Gonzaga.

“Nós não conseguimos repassar tudo, mas os nossos clientes entenderam que tinham que aceitar os reajustes. Afinal, quem define o preço das commodities é o mundo e suas necessidades. Não tem como a gente controlar o preço do minério ou do ferro-gusa e isso ficou claro nas negociações”, acrescenta.

Um dos fatores de incerteza está justamente nos caminhos da indústria automobilística, que consome a maior parte dos produtos fundidos no País – no ano passado, o setor automotivo comprou 46% da produção. O carro elétrico é uma alternativa cada vez mais próxima, mas que ainda enfrenta dificuldades como autonomia da bateria em um país de dimensões continentais como o Brasil.

O setor neste momento briga com o governo pela recriação do Ministério de Indústria e Comércio, na premissa de que a indústria será o carro-chefe da recuperação da economia. “Estamos numa situação favorável, que vai ajudar a melhorar este PIB. O nível de investimentos que estamos fazendo eu não vejo desde 2008, na paridade de um para um do dólar. Está todo mundo comprando equipamento para melhorar a capacidade produtiva e trabalhar com mais sustentabilidade”, revela o presidente do Sifumg.

O único problema, ressalva Gonzaga, é a dificuldade de contratar mão de obra. “Não é deficiência do Senai, mas falta mesmo de pessoas pra gente qualificar”. Ele sublinha que, além do Senai de Itaúna estar com dois cursos abertos na área de fundição, também está oferecendo preparação on-line e inclusive levado os alunos às feiras, para que eles conheçam as novidades do setor.

A ideia, segundo o dirigente, é atrair e encantar os futuros colaboradores das fundições. “Estamos preparando o chão da fábrica, investindo em modernização e tecnologia para que o trabalho não seja tão agressivo”, diz.

“Também é nossa responsabilidade oferecer o suficiente para o trabalhador sustentar a si e sua família. Eu negocio há 17 anos com metalúrgicos e sei que é desumano ir para a mesa de negociação sem entender que o IPCA é insuficiente para definir os reajustes. E, para isso, só há uma solução: desonerar a folha de pagamento pra gente pagar melhor”, acrescenta.

O que é fundição? - A fundição é uma indústria de transformação que é utilizada pelo homem há mais de 6.000 anos. No início, ela usava metais de baixo ponto de fusão (bronze e cobre) – em fornos rudimentares de cerâmicas e pedras; minérios de metais eram fundidos para produção de adornos e armas.

Hoje ela tem como matéria-prima básica o ferro-gusa e a sucata. A partir de um projeto, é construído um modelo da peça que se quer fundir. Ele pode ser feito em isopor, madeira ou alumínio e é moldado em uma mistura de areia com resina e outros componentes. O vácuo do molde é preenchido com metal líquido e se torna uma peça, seja ela para o setor automotivo ou um simples utensílio doméstico.

“É uma indústria abstrata porque, mesmo fazendo tudo dentro das normas para produzir uma peça, ela pode ser perdida por um excesso de umidade no galpão, por exemplo. E aí ela tem que ser feita novamente”, observa o presidente do Sindicato da Indústria da Fundição no Estado de Minas Gerais (Sifumg), Afonso Gonzaga.

Fonte: Jornal Diário do Comércio