Instalação dos pedágios e impactos do free flow em debate
A instalação de postos de pedágio na BR-381, entre Caeté e Governador Valadares (Rio Doce), especialmente no modelo de cobrança free flow, e as ações de segurança necessárias para as cidades afetadas serão os principais temas da audiência pública marcada para amanhã, terça-feira (18/11/25).
O debate será promovido pela Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), às 16h, no Auditório da Casa.
A reunião foi solicitada pelo deputado Delegado Christiano Xavier (PSD). Segundo o gabinete do parlamentar, os pórticos de cobrança estão sendo instalados nos municípios de Caeté (RMBH), João Monlevade e Jaguaraçu, na região Central, além de Belo Oriente e Governador Valadares, no Rio Doce.
Trânsito caótico e responsabilidade por obras
O requerimento destaca que o trecho entre Belo Horizonte e Caeté enfrenta trânsito caótico diariamente, tanto de dia quanto à noite. Filas extensas e longos engarrafamentos fazem com que motoristas permaneçam horas parados na estrada. Pelo contrato de concessão, as obras de duplicação e melhorias nesses 28 quilômetros permanecem sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Somente a partir do oitavo ano de concessão a empresa Nova 381 assumirá a gestão desse segmento, incluindo a recuperação e manutenção do trecho.
“Essa situação provoca atrasos em compromissos profissionais, escolares, médicos e familiares, além de gerar cansaço, estresse e prejuízos à saúde, produtividade e vida pessoal dos cidadãos”, afirma o deputado Delegado Christiano Xavier. Ele ressalta ainda que as precárias condições de conservação e segurança têm resultado em acidentes diários, muitos deles fatais.
Riscos aos usuários e efeitos do pedágio eletrônico
O parlamentar alerta que o cenário de insegurança compromete o direito de ir e vir dos usuários da rodovia e exige medidas urgentes. Entre as preocupações também está o sistema free flow, tecnologia que permite a cobrança automática por meio de leitura eletrônica. Apesar de representar avanço no modelo de pedagiamento, a modalidade pode trazer prejuízos principalmente a usuários sem familiaridade com ferramentas digitais.
A cobrança do pedágio no trecho de 303,4 km sob administração da concessionária Nova 381 começou em 27 de setembro, com dois pórticos: Caeté (R$ 15,50) e João Monlevade (R$ 12,90). Outros três entram em operação — Jaguaraçu (R$ 15,10), Belo Oriente (R$ 12,10) e Governador Valadares (R$ 12,60) — com previsão de início nesta segunda-feira (17).
Deputado cobra melhorias e fiscalização da concessão
Diante do cenário, o deputado defende ações urgentes de infraestrutura, sinalização e segurança viária. Entre as medidas sugeridas estão: instalação de passarelas iluminadas e acessíveis, criação de áreas de escape e acostamentos seguros, duplicação e melhoria de trechos críticos — especialmente entre a Capital e Caeté — e implantação de equipamentos de segurança e dispositivos luminosos que ampliem a visibilidade.
“É imprescindível que a Assembleia exerça seu papel fiscalizador para garantir que os direitos dos cidadãos sejam respeitados e que a concessão da BR-381 ocorra de forma justa e transparente”, afirma Christiano Xavier. Para ele, o debate é fundamental para avaliar alternativas e medidas de mitigação dos impactos da cobrança e das condições do trecho.
Foram convidados prefeitos de diversos municípios ao longo da BR-381, como Bom Jesus do Amparo, Rio Piracicaba, Nova União e Caeté, além do superintendente regional do DNIT em Minas Gerais e do diretor-geral da ANTT.
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