Galo! Campeonato Mineiro na cabeça dos técnicos: Sampaoli e Tite
Há campeonatos que servem para levantar taças; outros, para levantar hipóteses. O Campeonato Mineiro virou, para dois técnicos de peso (Sampaoli e Tite), um elegante laboratório a céu aberto com gramado e torcida desconfiada e dirigente fazendo conta.
Sampaoli, no Atlético Mineiro, escala times alternativos como quem mexe num tabuleiro de xadrez. Seu argumento é tático, quase filosófico: o Mineiro permite testar variações sem o risco imediato da guilhotina continental. Um lateral vira ala, um volante vira meia, um zagueiro aprende a sair jogando sob pressão. Não é desrespeito ao torneio; é respeito ao calendário brutal que vem depois. Sampaoli treina o time para sobreviver ao ano, não apenas ao domingo.
Já Tite, no Cruzeiro, faz algo parecido, porém com outro sotaque. Menos inquietação gestual, mais planilha mental. Seus times alternativos obedecem a uma lógica de equilíbrio: preservar titulares, observar comportamentos coletivos e, sobretudo, criar lastro. Tite sabe que elenco não é lista de nomes, é confiança distribuída. O Mineiro vira terreno seguro para que reservas aprendam a responder sem o trauma da derrota.
Mas há um ponto em que os dois se encontram: a base. Jovem não entra só por romantismo ou discurso de futuro; entra porque futebol moderno exige sustentabilidade. Cada garoto testado é um ativo avaliado. Se vingar, resolve um problema tático; se explodir, resolve um problema financeiro. Em tempos de cofres vigiados, a base virou a nova poupança, rende juros e ainda corre pelos lados do campo.
Assim, o campeonato mineiro segue, paradoxalmente, com times “alternativos”. Alternativos só no papel. Na prática, são escolhas conscientes: proteger o físico, ampliar o repertório tático e, de quebra, inflar o patrimônio do clube. No fim das contas, Sampaoli e Tite parecem dizer a mesma coisa, cada um à sua maneira: ganhar é importante, mas injunções são ainda mais.
Né não?
Afonso Canabrava
Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
Instagram: @afonsocanabrava
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