Informação foi prestada durante audiência na Almg
A Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) apresentou, nesta quinta-feira (16), à Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o inventário dos bens que integravam o acervo do Palácio das Mangabeiras até 2019.
A prestação de informações ocorreu durante audiência pública solicitada pelo deputado Leleco Pimentel (PT), após questionamentos sobre a destinação de peças da antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais.
A diretora-presidente da Codemge, Luísa Barreto, detalhou a localização dos itens do patrimônio, informando que o levantamento reúne mais de 3.900 bens, entre mobiliário, obras de arte, livros, pratarias e utensílios. Segundo ela, os objetos estão distribuídos entre diferentes órgãos estaduais, como o próprio Palácio das Mangabeiras, o Palácio da Liberdade, a Biblioteca Pública Estadual, o Museu Mineiro, a Fundação Clóvis Salgado e outras instituições.
De acordo com a gestora, o inventário contabiliza 187 itens sob guarda da Codemge, 90 obras de arte, cerca de 1.200 livros na Biblioteca Pública Estadual Luís de Bessa, aproximadamente 2.400 peças de prataria e utensílios no Palácio Tiradentes, além de móveis e equipamentos destinados a outros órgãos estaduais. Luísa Barreto afirmou que a relação apresentada é completa e explicou que algumas obras permanecem sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) ou passam por processos de restauração.
Durante a audiência, a presidente da Codemge também apresentou o histórico da gestão do Palácio das Mangabeiras, destacando que, desde 2022, o espaço é administrado por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), formada pela Codemge e parceiros privados. Segundo ela, o modelo permitiu ampliar a visitação pública, que superou 55 mil visitantes em 2025, além de viabilizar investimentos em conservação e revitalização do imóvel e de seus jardins.
Parlamentares da oposição, no entanto, manifestaram preocupação com o uso do Palácio para eventos privados, como festas e casamentos, e questionaram possíveis impactos sobre a preservação do patrimônio histórico. Também foram levantadas dúvidas sobre a destinação de algumas obras de arte e sobre a constituição da SPE responsável pela gestão do espaço.
Já deputados da base do governo defenderam o modelo adotado, argumentando que a abertura do Palácio democratizou o acesso da população a um patrimônio antes restrito ao uso oficial, além de contribuir para sua manutenção e conservação.
Ao final da reunião, a Comissão de Cultura aprovou a realização de uma nova audiência pública, com participação de museólogos, historiadores e especialistas em patrimônio cultural, para aprofundar o debate sobre a preservação do acervo e a destinação dos bens do Palácio das Mangabeiras. Paralelamente, permanecem em andamento representações encaminhadas ao Tribunal de Contas do Estado e à Polícia Federal para apuração da destinação dos bens patrimoniais.
Leia também:















