Alta de 47,4% nas remessas internacionais renova pressão sobre o varejo de moda,

Taxa das blusinhasTaxa das blusinhas
Taxa atinge setor de tecidos, vestuário e calçados em Minas Gerais. Foto: Divulgação/Fecomércio

Aceleração das compras importadas via e-commerce coincide com retração de 4,4% nas vendas

As compras internacionais de pequeno valor voltaram a acelerar em 2026 e já impõem novos desafios ao varejo de moda no Brasil. Estudo divulgado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG aponta que, entre janeiro e julho deste ano, as remessas do Programa Remessa Conforme somaram R$ 12,16 bilhões — avanço de 47,4% sobre os R$ 8,25 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

O movimento coincide com o enfraquecimento do comércio doméstico: até junho de 2026, o volume de vendas do segmento de tecidos, vestuário e calçados recuou 4,4% em Minas Gerais e 1,2% no país, no indicador acumulado em 12 meses.

Cadeia Mineira da Moda sob Impacto

Em Minas Gerais, o impacto alcança uma estrutura produtiva altamente integrada e decisiva para a economia do estado.

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  • Peso Econômico: O setor responde por 15% das lojas comerciais mineiras (frente a 13,6% no país) e mobiliza 67 mil empresas formais.

  • Emprego Local: São mais de 80 mil postos de trabalho diretos distribuídos em 18 Arranjos Produtivos Locais (APLs) de 87 municípios.

  • Polos em Risco: A retração afeta polos estratégicos como a Grande BH (23 mil empregos no vestuário), Nova Serrana (17 mil no setor calçadista) e Divinópolis (12 mil no vestuário).

Oscilação Tributária e Concentração Asiática

O levantamento traça o histórico do setor após as mudanças regulatórias dos últimos anos. Com a taxação de 20% aplicada em agosto de 2024 sobre compras abaixo de US$ 50, o volume importado caiu 40,9% no bimestre seguinte, abrindo espaço para a recuperação do comércio nacional ao longo de 2025. Contudo, em 2026, a flexibilização das regras devolveu a atratividade aos produtos externos, acelerando os desembarques.

A concorrência também se destaca pela alta concentração: apenas a China representou 51,2% do valor total importado e 98,4% do volume físico das peças de vestuário que entraram no Brasil em julho de 2026.

“Não se trata apenas do preço pago pelo consumidor, mas de neutralidade concorrencial. A vantagem concedida às plataformas estrangeiras transfere renda e empregos para fora do país, afetando desde as confecções até as lojas de rua”, destaca a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves.

A entidade ressalta que, embora fatores como crédito e renda familiar também influenciem o consumo, a convergência dos dados demonstra como condições tributárias desiguais afetam diretamente a sustentabilidade das empresas e dos empregos no Brasil.

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