Atlético 2 x 1 Cruzeiro. Classificado para a semifinal da Copa do Brasil
Pronto. Pode fechar o boteco, desligar a televisão e mandar o sujeito que ainda está procurando defeito no Galo dormir. Porque ontem, na Arena MRV, o Atlético fez o que time grande faz quando a coisa aperta: apanhou primeiro, levantou depois e mandou o adversário para casa.
E não foi qualquer adversário. Foi o Cruzeiro.
O Galo saiu perdendo num pênalti daqueles que fazem até o sujeito que não entende de futebol virar especialista em arbitragem. Tomou o golpe, respirou fundo e continuou jogando. E aí apareceu aquilo que não se compra em supermercado: personalidade.
A expulsão de Villalba ajudou? Evidentemente. Futebol também é aproveitar a desgraça alheia. Mas o Galo já vinha rondando a área, criando perigo e mostrando que não estava disposto a aceitar aquele roteiro de novela mexicana escrito pela Raposa.
Aí apareceu Fred.
O rapaz voltou para o clube da infância e resolveu fazer a festa completa. Primeiro, deu o passe para Victor Hugo empatar. Depois, aos 42 do segundo tempo, mandou aquela pancada de fora da área que fez a bola entrar e a Arena MRV virar um manicômio alvinegro.
Primeiro gol pelo Galo. Gol da classificação. Gol em clássico. Tem estreia melhor? Só se o sujeito fizer dois, pegar a taça, pagar a conta do bar e ainda levar a sogra para casa.
A imprensa não economizou nos elogios. Falou em virada épica, destacou a garra, a pressão, as mudanças de Domínguez e a capacidade do Atlético de reagir no momento decisivo. PVC resumiu a noite destacando Fred como personagem principal e a força das alterações do treinador. Milton Neves foi além e tratou a virada como uma das grandes emoções da história do clássico, colocando o Galo como candidato forte ao título.
Mas o mais importante não foi apenas ganhar do Cruzeiro.
Foi mostrar evolução.
Depois da parada para a Copa do Mundo, esse Galo parece outro bicho. Mérito do Barba, que encontrou o jeito da equipe jogar, deu organização ao time e, quando precisou, mexeu certo. O Atlético chegou a 14 partidas consecutivas sem perder, sequência que ontem ganhou um tempero especial: classificação para a semifinal da Copa do Brasil justamente eliminando o rival.
E há outra coisa: as contratações.
Sem aquela velha mania brasileira de contratar onze jogadores para descobrir que precisava de três. Foram reforços pontuais, gente que entrou para resolver problema e não para aumentar o estoque do departamento médico.
E agora o Galo está onde?
Na semifinal da Copa do Brasil.
Está vivo na Sul-Americana.
No Campeonato Brasileiro, está brigando pela Libertadores.
E tem um time que, depois da Copa, deixou de apenas prometer e começou a entregar.
Quer mais?
Eu também quero.
Quero a final.
Quero título.
Quero o Galo chegando no adversário com aquela cara de quem pergunta:
— E aí, companheiro, vai querer jogar ou vai querer conversar?
Porque o Atlético de ontem não foi apenas um time que ganhou um clássico.
Foi um time que mostrou cabeça, coragem, força, banco, treinador e, sobretudo, alma.
E isso, meu amigo, é coisa séria.
Eu sempre digo que futebol é uma coisa simples: onze contra onze, uma bola no meio e alguém querendo ganhar.
Pois ontem o Galo simplificou ainda mais:
entrou em campo, tomou um susto, ficou bravo e eliminou o Cruzeiro.
Agora falta pouco.
Ou falta muito.
Depende do tamanho da ambição.
E, pelo que estou vendo, o Galo resolveu finalmente parar de pedir licença.
E faço uma pergunta que, neste momento, chega a ser quase ofensiva:
Que mais?
Melhor impossível!
Afonso Canabrava
- Instagram: @afonsocanabrava
Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
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