Galo: Foi ao Pará remar… e quase afogou! Canabrava em Campo

Galo Foi ao Pará remar… e quase afogouGalo Foi ao Pará remar… e quase afogou
Galo: Foi ao Pará remar... e quase afogou! Canabrava em Campo. Foto: Pedro Souza/CAM.

Galo: Foi ao Pará remar… e quase afogou!

O Atlético foi ao Pará enfrentar o Remo e voltou com um ponto, dois gols marcados, dois sofridos e a velha certeza de que torcer para o Galo continua sendo uma atividade de alto risco, recomendada apenas para maiores de idade e portadores de coração devidamente cadastrado no SUS.

O jogo mal havia começado e o Remo já meteu um gol.

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Dois minutos!

A defesa atleticana provavelmente ainda estava discutindo quem marcaria quem, quem cobriria quem e quem teria esquecido de avisar que a partida começava às seis e meia.

O Remo avisou.

Gol.

O torcedor do Galo, naturalmente, fez aquilo que todo atleticano sabe fazer com excelência: começou a xingar o passado, o presente, o futuro e, se possível, a escalação do Campeonato Brasileiro de 1977.

Mas o Galo reagiu.

E reagiu bonito.

Reinier empatou. Bernard virou quatro minutos depois.

Aí começou aquela parte perigosa do jogo: o atleticano acreditou.

Erro gravíssimo.

Atleticano não pode acreditar cedo demais. Dá azar.

Quando o Galo vira uma partida, o torcedor deveria permanecer sentado, com o rádio desligado, sem fazer movimentos bruscos e, principalmente, sem pronunciar a frase:
Agora está tranquilo.

Não está.

Nunca está.

O Atlético tinha virado, controlava a partida e parecia caminhar para trazer de Belém três pontos importantíssimos.

Só que o Galo, como certas pessoas que recebem dinheiro no quinto dia útil, não sabe administrar.

E o segundo tempo veio para provar isso.

O Remo empatou.

Gabriel Taliari fez o segundo e devolveu ao Mangueirão a alegria que o Atlético havia tomado emprestada durante alguns minutos.

Pronto.

O jogo virou aquele conhecido filme atleticano:

“Procura-se a vitória que estava aqui.”

O problema não foi empatar.

O problema foi permitir que uma partida que estava praticamente encaminhada voltasse a ficar à mercê do adversário.

E isso é uma doença antiga do Galo.

O time faz uma coisa boa e, imediatamente, sente necessidade de fazer outra coisa desnecessária.

É como aquele sujeito que paga a conta do restaurante e, na saída, resolve discutir com o garçom porque a nota fiscal veio com uma vírgula fora do lugar.

O Atlético tem futebol.

Isso está evidente.

Reinier e Bernard mostraram isso. O time teve reação, teve capacidade de virar uma partida fora de casa e mostrou personalidade.

Mas tem também uma extraordinária vocação para complicar.

A defesa, em certos momentos, parece trabalhar com o seguinte princípio:

“Se podemos resolver a jogada facilmente, por que não transformar isso numa questão de Estado?”

E lá vai o adversário.

Corre dali.

Cruza daqui.

A bola pinga.

O coração acelera.

O narrador grita.

O torcedor levanta.

A esposa pergunta:

Que aconteceu?

E o atleticano responde:

Nada.

Mentira.

Aconteceu tudo.

O 2 a 2 acabou sendo justo pelo que os dois fizeram, mas para o Galo ficou aquele gosto amargo de quem tinha a vitória no bolso e resolveu lavar a calça junto com o dinheiro.

Mais dois pontos que escaparam.

E campeonato brasileiro é exatamente isso: enquanto uns somam pontos, outros ficam fazendo contabilidade sentimental.

“Jogamos bem.”

“Reagimos.”

“Criamos.”

“Mostramos força.”

Muito bonito.

Mas a tabela, essa senhora sem coração, não aceita poesia.

Ela quer pontos.

Três.

De preferência.

O Galo precisa entender que não basta ter bons jogadores. É preciso jogar como time durante noventa minutos, e não durante aqueles vinte minutos em que a coisa aperta e todo mundo resolve lembrar que futebol é coletivo.

O torcedor atleticano já está acostumado com sofrimento.

Aliás, se sofrimento desse título, o Atlético seria campeão brasileiro todo ano.
O problema é que sofrimento não dá taça.

Dá gastrite.

E o Galo já tem experiência suficiente nesse departamento.

No Mangueirão, o Remo remou.

O Galo chegou a virar o barco.

Mas, quando parecia que ia atracar com três pontos, resolveu fazer turismo no meio do rio.

Resultado: 2 a 2.

Um ponto para cada lado.

E uma pergunta para o Atlético:

Até quando o Galo vai continuar fazendo o torcedor sofrer por aquilo que ele mesmo poderia evitar?

Porque futebol, meus amigos, é coisa simples.

Tem gol.

Tem defesa.

Tem meio-campo.

Tem ataque.

E tem uma regra antiga que ninguém conseguiu revogar:

Quem quer ganhar campeonato não pode ficar entregando jogo de presente.

O Galo precisa parar de brincar de Remo.

Porque, se continuar assim, qualquer dia desses o torcedor vai precisar trocar a camisa preta e branca por um colete salva-vidas.

E isso, convenhamos, não combina nem um pouco com o uniforme.

O Galo não morreu.

Está vivo.

E tem futebol para brigar.

Mas precisa urgentemente descobrir que campeonato brasileiro não é campeonato de emoção.

É campeonato de ponto.

E ponto, como dizia aquele velho torcedor de arquibancada, não se pede.
Pega-se.

Ou depois fica todo mundo reclamando que o barco passou.

Né não?

Afonso Canabrava

Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.

  • As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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