Mercado de Carbono: para combater as mudanças climáticas

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O Mercado de Carbono como instrumento de mudança. Foto: Comunicação Polícia Federal.

Entenda o conceito e a finalidade por trás do mercado de carbono

O mercado de carbono surgiu como uma estratégia para obrigar as economias a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4), principais causadores do aquecimento global e da crise climática que vivenciamos, marcada por eventos extremos climáticos.

Raízes históricas: a Revolução Industrial à atualidade

Desde os tempos da Revolução Industrial nos séculos 18 e 19, as emissões de gases têm aumentado exponencialmente, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis. Este cenário representa uma das maiores preocupações de cientistas, sociedades e governos, culminando em importantes eventos internacionais como a Eco 92 no Rio de Janeiro, o Protocolo de Quioto em 1997, e o Acordo de Paris em 2015.

Compromissos globais para um futuro sustentável

No Acordo de Paris, 195 países se comprometeram a conter o aquecimento global “bem abaixo de 2º C acima dos níveis pré-industriais”. O Brasil, por sua vez, atingiu a meta de reduzir em 43% as emissões de gases estufa até 2030 em relação a 2005.

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O Papel do mercado de carbono na mitigação climática

O mercado de carbono desempenha um papel crucial na estratégia de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Como isso acontece?

O pesquisador Shigueo Watanabe Jr, do Instituto Talanoa, esclarece que o mercado de carbono pressionou a indústria a substituir seus equipamentos por máquinas com menor ou nenhuma emissão de carbono. Esse mercado começa a cobrar pelas emissões, elevando os preços gradualmente até que as indústrias percebam que estão gastando mais com emissões do que investiriam em novos equipamentos.

Fixação de metas e ganhos sustentáveis

O mercado de carbono estabelece cotas de emissões de gases estufa. Aqueles que emitem menos do que o permitido recebem créditos, que podem ser comercializados para empresas que ultrapassam a meta. Essa venda de créditos visa cultivar as indústrias para reduzir suas emissões, criando um sistema em que a eficiência é recompensada financeiramente.

Duas faces do mercado de carbono: voluntário e regulado

Existem dois tipos de mercado de carbono: o voluntário, que depende da iniciativa das empresas, e o regulamentado, imposto por decisão dos Estados nacionais e considerado mais eficaz.

Agricultura e pecuária no contexto

Recentemente, a Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado aprovou um projeto para criar um mercado de carbono regulado no Brasil, excluindo a agropecuária dessa regulamentação. Isso gerou debates aquecidos, especialmente porque a pecuária é responsável por 25% das emissões de gases de efeito estufa, de acordo com estudo da consultoria legislativa da Câmara dos Deputados.

O pesquisador do Instituto Talanoa argumentou que esses setores não estão incluídos nos mercados de carbono regulados globalmente. No caso da pecuária, reduzir a eficiência das emissões sem reduzir o rebanho é uma tarefa complexa devido à ausência de alternativas viáveis.

Quanto à agricultura, Watanabe enfatiza que o setor emite carbono principalmente através da aplicação de fertilizantes fósseis e devido às plantações alagadas de arroz, comuns no Rio Grande do Sul. Nesses casos, são necessárias abordagens específicas para transformar essas práticas.

O mercado de carbono como instrumento de mudança

O pesquisador destaca a importância de o governo oferecer condições para que setores como agrícola e pecuário possam regular suas emissões, ressaltando que o mercado de carbono, tal como delineado no projeto de lei, não é o instrumento mais adequado para essa transformação.

Com esse instrumento, o mercado de carbono, aliado a outras estratégias, busca catalisar a transição para uma economia mais sustentável e um futuro ambientalmente equilibrado.

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