Resenhaço: Valter Braga e as Três Torres

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Resenhaço: Valter Braga e as Três Torres. Fotos: Tiago Boson.

Resenhaço: Valter Braga e as Três Torres

Formado em Letras pela UFMG, gestor cultural, funcionário público, escritor e compositor, Valter Braga publicou neste ano o seu terceiro trabalho literário: Daqui se veem as três torres.

Mineiro de Sabinópolis e residente em Belo Horizonte, Valter obteve notoriedade ao vencer o prêmio de melhor letrista no Festival Cultura (TV Cultura de São Paulo) na edição de 2005: Sua canção Haicai baião concorria com mais de 6 mil compositores de todo o território nacional e foi confirmada vitoriosa dentre todas.

Na virada dos anos 80 para 90, ele desenvolveu seu conhecimento teórico e prático em música através da Fundação de Educação Artística. Também passou pela Música de Minas Escola Livre (idealizada e levada adiante por Milton Nascimento, Wagner Tiso entre outros), compondo um considerável número de canções, letras e arranjos.

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Valter Braga, artista e literato. Foto: Tiago Boson.

Seu livro de poema Barragens & rejeitos foi lançado em 2021, marcando o início de sua trajetória no meio literário propriamente dito. Entre este romance escrito e o “Barragens…”, ainda há o inédito Corpos enterrados no jardim: assemblagens.

Quem ler este trabalho mais recente de Valter não irá se arrepender em aguardar pela publicação de “Corpos…”, pois o que temos aqui em “Daqui se veem as três torres” é um texto enxuto, o qual o leitor perceberá descendo liso sem qualquer aresta pontiaguda que em outras obras gerasse irritação por meio de diálogos mal escritos ou descrições preguiçosas.

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Um breve trecho do livro.

Estabelecendo um ritmo notoriamente fluido no passar das páginas, talvez a intenção do autor fosse a de nos fazer testemunhas silenciosas das ações estabelecidas das personagens, mais que de seus pensamentos – ainda que o fluxo de consciência esteja presente, o que reforça o grau de suposta empatia por parte do leitor diante das qualidades e intenções dos envolvidos na trama.

E é prova de virtuosismo técnico como os capítulos se sucedem sem que o tom e cadência narrativa afetem negativamente no todo da estória, observando com a quebra de expectativa a intenção de querer continuar acompanhando determinado personagem ou núcleo.

A recompensa é boa, pois a impressão estabelecida no tempo do discurso é a de que todos naquela cidade fictícia chamada Corrente dos Rios estão em uma espiral, que não aleatoriamente se comprime até a conclusão distinta do modo de agir daquelas pessoas de lá.

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O livro: do autor, o primeiro escrito em forma de romance.

Meu sentimento ao ler “Daqui se veem as três torres” foi a de um contentamento acompanhado de curiosidade “pra ver aonde aquilo ia dá”, reforçado pela espontaneidade de meu pensamento em ora enxergar o texto diante de mim como facilmente um libreto de ópera, ora como um espetáculo teatral.

Ouça o autor Valter Braga abaixo, em uma prosa a propósito de seu trabalho e mais.

Pois, o livro pode ser adquirido em diversas livrarias de Belo Horizonte, físicas ou digitais (como nas Clube de Autores e Amazon).

Enfim…

Os jogadores que jogam com as vidas dos outros sempre perdem, nunca ganham, não se satisfazem com a paz nem com a iminência do conflito!

(Quem ler o livro saberá do que digo bem.)

Tiago Boson

  • O colaborador Tiago Boson é multi-instrumentista autodidata, compositor, professor de música, pintor, ilustrador, escritor/poeta (não publicado).
    E-mail: bosontiago@gmail.com
    Instagram: @tiagoboson

As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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