Galo: Desempenho, expectativas e tensões

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Montagem: IA.

Galo: Desempenho, expectativas e tensões

As mudanças radicais no elenco, as promessas da diretoria e a avalanche de explicações do técnico Jorge Sampaoli não foram suficientes para alterar o desempenho pífio do Atlético na temporada de 2026, que, até aqui, repete, em todos os aspectos e até aprofunda, o roteiro desastroso de 2025.

Fala-se em experiências, em testes, em reconstrução. Talvez.
Mas, na prática, o que se vê é um time tecnicamente pobre, taticamente confuso e emocionalmente frágil.

O cenário é ainda mais preocupante porque nem o básico parece ter sido corrigido. As projeções de melhora são nebulosas, sustentadas mais por esperança do que por evidências dentro de campo.

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Desde que Paulinho deixou de formar dupla com Hulk, o ataque do Galo perdeu sua referência. Hulk passou a atuar de costas para o gol, isolado entre zagueiros, e os gols tornaram-se eventos raros. A responsabilidade, obviamente, não é do camisa 7. O problema é estrutural. Prova disso foi o constrangedor desempenho ofensivo contra o Red Bull Bragantino: apenas um chute a gol em todo o primeiro tempo. Para um time que se diz competitivo, isso é alarmante.

Paulinho, vale lembrar, atuou por quase um ano lesionado, jogando no sacrifício. Ainda assim, o Atlético chegou às finais da Libertadores e da Copa do Brasil. Após sua saída, o time mergulhou em uma sequência de atuações decepcionantes, sem identidade e sem força ofensiva.

A insistência de Sampaoli em testar Cuello pela direita revela, de forma indireta, o esgotamento de Bernard e, sobretudo, de Scarpa, hoje distante de sua melhor versão, talvez abalado pelo banco de reservas, talvez pelo próprio ambiente. Seja qual for a razão, o rendimento é insuficiente.

No setor defensivo, o único ponto de segurança até agora é o goleiro Everson. O restante do sistema defensivo é uma incógnita, à espera de alguma solidez que pode, quem sabe, surgir com o retorno de Lyanco.

O futebol, no entanto, não se constrói apenas com planilhas e discursos. Ele é feito de história e de símbolos. Santos de Pelé. Flamengo de Zico. Galo de Reinaldo. Cruzeiro de Tostão. Palmeiras de Ademir da Guia. Vasco de Roberto Dinamite. Internacional de Falcão.
E o Galo de hoje? Onde está o seu jogador de referência?

Hulk ainda é esse nome, mas já não pode carregar o time sozinho. A chegada de Cassierra gera expectativa, mas causa estranheza que tenha sido lançado faltando apenas dois minutos para o fim do jogo contra o Athletic, tempo insuficiente até para ser avaliado.

O acúmulo dessas falhas primárias poderia render um livro inteiro. Limito-me, porém, a uma constatação simples e cruel: futebol se ganha com elenco equilibrado, técnico competente, ambiente saudável e compromisso com a camisa. Nada disso, neste momento, parece existir plenamente no Atlético.

Diante desse cenário, arrisco uma previsão sombria, e historicamente previsível: a troca de treinador no meio da temporada. Um remédio que raramente cura e quase nunca leva à conquista de títulos.

Né não?

Afonso Canabrava

Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.

Instagram: @afonsocanabrava

As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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