Copa do Mundo começa mal! – Canabrava em Campo

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A Copa do Mundo começa mal! Canabrava em Campo. Foto: IA/montagem.

Copa do Mundo começa mal!

Rapaz, o futebol anda tão maltratado que até a política resolveu entrar em campo para dar carrinho por trás. Antigamente, quem estragava uma Copa era um juiz ruim, um bandeirinha distraído ou um zagueiro que confundia bola com canela. Hoje não. Agora aparece presidente de país querendo escolher quem entra e quem sai do campeonato.

A Copa do Mundo de 2026 mal abriu as cortinas e já entrou em campo com chuteira trocada. Segundo informações amplamente divulgadas pela imprensa internacional, delegações, autoridades esportivas e profissionais ligados ao torneio enfrentaram restrições migratórias, interrogatórios prolongados e uma burocracia digna de repartição pública em dia de greve. É o futebol submetido ao guichê da alfândega.

O caso mais espantoso foi a situação envolvendo representantes de países africanos e do Oriente Médio. Ora, minha gente, a Copa do Mundo não é reunião de condomínio. É o encontro dos povos. É justamente o lugar onde um sujeito de Mogadíscio pode conversar com outro de Montevidéu sem precisar pedir licença para a geopolítica. Quando um árbitro ou integrante oficial de uma seleção encontra dificuldades para participar de um evento organizado pela FIFA, alguma coisa está fora do lugar.

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E a FIFA? Bem, a FIFA parece aquele zagueiro que vê a confusão, escuta o apito, percebe a pancadaria e finge que está amarrando a chuteira. O silêncio da entidade tem sido tão eloquente quanto preocupante. Quem vende a Copa como a grande festa universal do futebol deveria ser o primeiro a defender a universalidade da festa.

Enquanto isso, boa parte das transmissões televisivas preferiu mostrar fogos, drones, cantores inaudíveis e discursos açucarados. Pouco se falou dos problemas que rondavam os bastidores. A abertura foi tão confusa que, em certos momentos, parecia um ensaio de escola de samba sem microfone. Quem estava em casa escutava mais o barulho da arquibancada do que a voz dos artistas.

Dentro de campo, pelo menos no México x África do Sul, a bola não ajudou muito. Foi um daqueles jogos que fazem o sujeito sentir saudade de uma boa pelada de várzea. Passe errado, chutão para lugar nenhum e uma criatividade ofensiva comparável à fila de banco numa segunda-feira. Se aquilo foi cartão de visitas da Copa, o porteiro esqueceu de abrir a porta.

Mas a Copa do Mundo é um bicho estranho. Começa mal, tropeça na própria sombra e, de repente, aparece um camisa 10 iluminado, um goleiro maluco ou um ponta driblador para salvar o espetáculo. O futebol tem dessas coisas. Quando a gente acha que ele morreu, ele levanta, ajeita o meião e marca um golaço.

Por enquanto, o placar está assim: política 1, futebol 0.

Mas ainda faltam muitos jogos.

Vamos ver o resto.

Né não?

Afonso Canabrava

Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.

  • As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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