CMBH e MPMG firmam parceria para combater violência política contra vereadores

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A assinatura do termo ocorre em meio a episódios recentes de ameaças e ataques contra parlamentares. Foto: Karoline Barreto/CMBH.

Termo de cooperação cria canal para encaminhamento de notícias-crime

A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) assinam, nesta quinta-feira (9), um Termo de Cooperação voltado ao combate de ataques, agressões e casos de violência política, incluindo a violência política de gênero, praticados contra vereadores da capital.

O documento será assinado pelo presidente da CMBH, Professor Juliano Lopes, e pelo procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho, em cerimônia marcada para as 10h30, no Plenário Amintas de Barros. O evento será transmitido pelos canais oficiais da Câmara.

Cooperação entre Câmara e Ministério Público

O acordo prevê a criação de um canal complementar de comunicação entre as duas instituições para o encaminhamento de notícias-crime e o intercâmbio de informações relacionadas a ameaças e outras formas de violência contra parlamentares municipais.

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Além disso, a parceria busca fortalecer a troca de experiências, boas práticas e conhecimentos voltados à identificação e ao enfrentamento de ataques que possam comprometer a independência do Poder Legislativo.

Sempre que houver necessidade de atuação do Ministério Público, as ocorrências poderão ser acompanhadas e encaminhadas conforme previsto no termo.

Apesar da atuação conjunta, o acordo deixa claro que não haverá transferência das atribuições legais de cada instituição. O acesso às informações será restrito às equipes designadas pela Câmara e pelo MPMG.

A vigência inicial da cooperação será de um ano, com possibilidade de prorrogação por igual período.

Casos recentes motivaram a iniciativa

A assinatura do termo ocorre em meio a episódios recentes de ameaças e ataques contra parlamentares da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Em fevereiro deste ano, a vereadora Juhlia Santos (Psol) recebeu uma mensagem enviada ao seu e-mail institucional contendo ofensas de caráter racista, transfóbico e homofóbico, além de ameaças de morte caso não renunciasse ao mandato.

Outro caso ocorreu em agosto do ano passado, quando o vereador Osvaldo Lopes (Pode) afirmou ter sido ameaçado por carroceiros durante e após uma audiência pública. Segundo o parlamentar, as intimidações estavam relacionadas à lei de sua autoria que proíbe o uso de animais para transporte de cargas. Na ocasião, ele informou que aquela era a quarta ameaça recebida sobre o tema e acionou a Polícia Militar.

Já em agosto de 2023, a vereadora Iza Lourença (Psol) e a então vereadora Cida Falabella — atualmente licenciada para exercer o cargo de secretária municipal de Cultura — também foram alvo de ofensas, ameaças de morte e mensagens com conteúdo de violência sexual.

Presidente da Câmara defende proteção aos parlamentares

Após o episódio envolvendo a vereadora Juhlia Santos, o presidente da Câmara, Professor Juliano Lopes, afirmou que a atual gestão não aceitará qualquer tentativa de impedir o exercício do mandato parlamentar por meio de intimidações.

Segundo ele, todos os vereadores, independentemente de posicionamento político, devem ter garantido o direito de exercer o mandato conferido pelos eleitores.

Nós não vamos admitir qualquer tipo de ameaça a qualquer vereador que queira exercer o seu mandato aqui na Câmara”, declarou o presidente na ocasião.

Com a formalização da parceria, a expectativa é fortalecer os mecanismos institucionais de prevenção, registro e encaminhamento de casos de violência política, oferecendo maior proteção aos representantes eleitos e contribuindo para o livre exercício da atividade parlamentar em Belo Horizonte.

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