Galo: Orgulho Vingador!
Há times que jogam futebol. O Atlético, não. O Atlético gosta mesmo é de transformar jogo em novela, filme de guerra e, quando necessário, espetáculo de circo, tudo na mesma noite.
O Galo é expert no “acredite”. A torcida já conhece o roteiro: quando parece impossível, é justamente aí que começa a brincadeira.
O Santos chegou com 2 a 0 de vantagem. Bonito, confortável, cheiro de classificação. Só esqueceram de avisar ao Atlético.
Com apenas 16 segundos, saiu o primeiro gol. Dezesseis segundos!
Nem o torcedor que ainda procurava sua cadeira conseguiu sentar. O Galo já estava dizendo ao Santos: “Calma que a conversa é comprida.”
E foi.
Vieram quatro gols atleticanos numa partida que parecia escrita por alguém que não conhece a palavra sossego. O Santos reagiu, complicou, fez gol, ameaçou a festa. Mas o Atlético continuou naquele seu estilo peculiar de jogar futebol como quem empurra uma porta emperrada: uma hora ela abre.
E abriu.
Aos 46 minutos do segundo tempo, Cuello fez o quarto.
4 a 2.
Agregado: 4 a 4.
O Santos, que já estava com um pé na semifinal, descobriu que o outro tinha sido pisado pelo Galo.
Pênaltis. Mais sofrimento. Mais unha roída. Mais cardíacos procurando a bula dos remédios.
E fomos aos pênaltis.
Aí apareceu Gabriel Delfim, goleiro reserva, que resolveu deixar de ser reserva justamente quando o Galo mais precisava.
Defendeu três cobranças. Três!
Delfim não pegou pênaltis. Delfim confiscou pênaltis.
O homem virou funcionário da Receita Federal: tudo que vinha, ele apreendia.
Resultado: Galo classificado para a semifinal da Sul-Americana, depois de perder a primeira partida por 2 a 0.
Classificação? Incontestável.
Drama? Desnecessário perguntar.
Sofrimento? Em Minas, isso já vem no pacote.
E ainda havia uma pendência moral para resolver. Neymar.
Depois das provocações do primeiro jogo, ficou aquela história de “time pequeno”, “resenha” e outras delicadezas próprias de quem gosta de falar antes de saber como termina o filme.
Pois o filme terminou ontem.
E terminou em preto e branco.
Porque há um velho ensinamento popular que dispensa comentarista, VAR e inteligência artificial: peixe morre pela boca.
Desta vez, o Peixe falou.
O Galo respondeu.
E respondeu em campo, que é onde provocação realmente precisa ser paga.
O Atlético não apenas buscou um 2 a 0. Fez 4 a 2, empatou o confronto e venceu nos pênaltis.
É o velho Galo: quando a porta está fechada, ele não procura a chave: arromba.
Quando dizem que acabou, ele pergunta: acabou para quem, companheiro?
Ontem, acabou para o Santos.
Para o Galo, começou outra história.
E fica o aviso aos navegantes, especialmente aos navegantes de Santos: não mandem o Atlético acreditar.
Porque quando o Galo acredita, a torcida acredita junto.
E quando essa multidão resolve acreditar, até o impossível olha para a Arena MRV, pega suas coisas e vai embora sem reclamar.
GALO! ORGULHO VINGADOR!
E o Peixe?
Bom…
Da próxima vez, fala menos.
Né não?
Afonso Canabrava
- Instagram: @afonsocanabrava
Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
- As opiniões contidas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.
Leia também:















