ALMG prestou tributo solene às vítimas de Brumadinho

Monumento em homenagem às 272 vítimas da tragédia de Brumadinho, ladeado por uma coroa de flores brancas e amarelas. Monumento em homenagem às 272 vítimas da tragédia de Brumadinho, ladeado por uma coroa de flores brancas e amarelas.
Memorial da ALMG recebe flores e homenagens às vítimas da tragédia de Brumadinho, sete anos após o rompimento da barragem. Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG.

Sete anos de dor e memória coletiva

Ontem,  domingo, 25 de janeiro de 2026, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou um ato solene em homenagem às vítimas da tragédia de Brumadinho, que marcou a história recente do Brasil e de Minas Gerais com um dos maiores desastres socioambientais do país.

Uma cerimônia marcada pela emoção

No exato instante do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão — às 12h28, como ocorreu em 2019 — teve início a homenagem oficial no Hall das Bandeiras da ALMG, em Belo Horizonte.

O ato contou com o hasteamento solene das bandeiras, seguido da descida dos pavilhões de Minas Gerais e da capital mineira a meio mastro. Este gesto simbólico representa o respeito profundo às 272 vidas perdidas na avalanche de lama tóxica que varreu tudo em seu caminho.

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Logo após, foi feito um minuto de silêncio, carregado de pesar e significado. Na sequência, uma coroa de flores foi depositada no memorial construído pela Casa Legislativa em memória às vítimas — um gesto que eterniza o compromisso da instituição com a preservação da memória coletiva e com a luta por justiça.

25 de janeiro: marco oficial de luto

Desde 2020, o dia 25 de janeiro é reconhecido oficialmente como o Dia Estadual de Luto pelas Vítimas da Tragédia de Brumadinho, instituído pela Lei 23.590/2020, de autoria da ALMG.

A data não apenas lembra o horror vivido por centenas de famílias, mas também reforça a urgência por mudanças no modelo de exploração mineral em Minas Gerais.

Um memorial que guarda nomes e histórias

No mesmo ano em que foi instituída a data de luto, a Assembleia também inaugurou um memorial permanente com os nomes das 272 vítimas da tragédia. O monumento, discreto e impactante, registra para sempre as vidas ceifadas por uma negligência que poderia ter sido evitada.

Menos de sessenta segundos após o rompimento, uma enxurrada de rejeitos destruiu por completo a área operacional da Mina, atingindo trabalhadores, moradores e o meio ambiente de forma irreversível. A cena que se sucedeu, segundo testemunhas, foi semelhante a um tsunami de lama e destruição.

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Desastre de Brumadinho. Foto: Luiz Santana/Arquivo ALMG.

A tragédia que seguiu o curso do Paraopeba

A força do rompimento espalhou a lama por cerca de 400 quilômetros, afetando diretamente 26 municípios e 131 comunidades rurais ao longo do curso do Rio Paraopeba, fonte vital para milhares de mineiros. Animais, casas, escolas e sonhos foram soterrados por uma mistura tóxica de rejeitos que ainda hoje deixa marcas na paisagem e na alma da população.

Mesmo sete anos depois, duas vítimas seguem desaparecidas: Tiago Tadeu Mendes da Silva e Nathália de Oliveira Porto Araújo. As buscas continuam em curso, numa das maiores operações da história do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, que se recusa a encerrar os esforços sem oferecer respostas às famílias.

ALMG reforça papel ativo após a tragédia

Além da homenagem, a ALMG assumiu um papel protagonista na resposta institucional ao desastre. Desde os primeiros momentos após o rompimento, parlamentares iniciaram uma série de iniciativas com o objetivo de proteger vidas, punir os responsáveis e impedir que novos desastres aconteçam.

Entre as principais ações, destaca-se a criação da Lei 23.291/2019, que instituiu a Política Estadual de Segurança de Barragens, impondo critérios mais rígidos para o licenciamento de barragens e, especialmente, proibindo o método de alteamento a montante — justamente o utilizado pela Vale em Brumadinho e considerado de alto risco.

Comissão Parlamentar de Inquérito: responsabilização e justiça

Os trabalhos da CPI da Barragem de Brumadinho, instaurada pela ALMG, aprofundaram a investigação das causas do rompimento e culminaram no pedido de indiciamento da mineradora Vale e de 13 pessoas diretamente envolvidas na tragédia. O relatório final apontou falhas graves de gestão, omissões técnicas e negligência na manutenção e monitoramento da estrutura.

Esse esforço representa uma vitória parcial das famílias e da sociedade civil, que seguem cobrando responsabilização criminal e reparação integral dos danos causados.

Legado de resistência e transformação

A tragédia de Brumadinho se inscreveu na história de Minas Gerais como uma ferida aberta, mas também como um ponto de inflexão. Da dor emergiu uma consciência coletiva sobre os riscos da mineração predatória e a necessidade urgente de repensar o modelo de desenvolvimento do estado.

A ALMG, como instituição representativa da vontade popular, mantém-se firme em seu compromisso de honrar as vítimas, cobrar justiça e construir um futuro mais seguro e sustentável.

Preservar a memória é impedir o esquecimento

A homenagem deste domingo é um clamor por justiça e reparação. Cada flor depositada, cada bandeira a meio mastro, cada nome gravado no memorial, tudo carrega um peso simbólico gigantesco: o compromisso de nunca esquecer e de transformar o luto em ação concreta.

Enquanto o silêncio da montanha for maior do que o barulho da justiça, seguirão vivos os ecos daquela tarde de janeiro. Mas, à medida que Minas Gerais avança, guiada pela memória e pelo respeito, florescerá também a esperança de que tragédias como a de Brumadinho jamais se repitam.

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