Peça de 36 quilos produzida em São Roque de Minas surpreendeu especialistas pela textura
Após dois anos de maturação, o maior queijo já produzido na Região da Canastra foi apresentado oficialmente pelo projeto Rota do Queijo de Minas. Batizada de Canastra Imperial, a peça histórica pesa 36 quilos e foi produzida na fazenda do produtor Ivair, em São Roque de Minas, município conhecido como principal porta de entrada do Parque Nacional da Serra da Canastra.
O queijo marca a estreia do projeto Super Queijos, iniciativa que reúne especialistas e produtores com o objetivo de explorar novas possibilidades na produção artesanal mineira. A comissão responsável pelo projeto é formada por Jordane Macedo, Ivair, Lúcia, Renata De Paoli e Cassiano Peluso.
Desafio era maturar uma peça de 36 quilos
A ideia de produzir um queijo de grandes proporções surgiu de maneira descontraída, durante conversas entre os produtores. O que começou como uma brincadeira acabou se transformando em um experimento inédito na história da produção canastreira.
O principal desafio foi manter a qualidade da peça durante os 24 meses de maturação. Segundo os idealizadores, havia receio de que o alto teor de gordura pudesse oxidar ao longo do tempo, comprometendo o sabor e a textura do queijo.
No entanto, o resultado surpreendeu até mesmo os especialistas envolvidos no projeto.
Sabor frutado e textura preservada
De acordo com Lúcia, responsável pela produção ao lado de Ivair, o queijo apresentou características sensoriais acima das expectativas.
Segundo ela, a partir de 15 meses de maturação o Canastra Imperial já demonstrava um perfil de sabor diferenciado, mas foi ao completar dois anos que atingiu seu melhor resultado.
“O resultado foi muito satisfatório. Percebemos um sabor muito frutado. A partir dos 15 meses de maturação, o sabor já era bem diferenciado, mas esse de dois anos realmente superou tudo”, afirmou.
Notas de araticum chamaram atenção
Para Jordane Macedo, fundador da Rota do Queijo de Minas, o queijo conseguiu preservar a identidade do terroir da Serra da Canastra mesmo após um longo período de cura.
Segundo ele, durante a avaliação sensorial foram identificadas notas que remetem ao araticum, fruta típica do Cerrado brasileiro.
“Ele apresentou notas de araticum, que é uma fruta nativa do Cerrado. É impressionante como um queijo com dois anos de cura conseguiu se manter tão untuoso, macio e sem nenhuma oxidação. Ele está simplesmente incrível”, destacou.
Projeto busca inovar na produção artesanal
O Canastra Imperial inaugura o projeto Super Queijos, que pretende desenvolver experiências inéditas com a produção artesanal da Serra da Canastra, valorizando técnicas tradicionais aliadas à pesquisa sobre maturação, características sensoriais e potencial gastronômico dos queijos mineiros.
A iniciativa reforça o protagonismo da Região da Canastra na produção de queijos artesanais reconhecidos nacional e internacionalmente, destacando a qualidade dos produtos elaborados com leite cru e métodos tradicionais preservados por gerações de produtores mineiros.

