Galo! É perdendo que se ganha?
O Galo resolveu ressuscitar 2019! E, pelo andar da carruagem, não está faltando empenho para repetir os capítulos mais tenebrosos daquele folhetim. Desde setembro daquele ano, o Atlético não acumulava cinco derrotas consecutivas. Pois bem: novembro de 2026 chegou e o glorioso resolveu quebrar o recorde, como se já não tivesse colecionado emoções suficientes para levar qualquer torcedor ao cardiologista.
Mas que diabo está acontecendo com o nosso Galo?
Depois de uma fase em que o time vinha jogando um futebol de encher os olhos, especialmente na retomada da temporada, parecia que tínhamos encontrado o caminho das pedras. O Barba ganhou crédito, os jogadores ganharam aplausos e a torcida voltou a sonhar com taças. De repente, o futebol desapareceu. Sumiu sem deixar endereço, telefone ou explicação!
São cinco derrotas consecutivas: Montevideo City Torque, Flamengo, Cruzeiro, Grêmio e Botafogo. Cinco pancadas na cabeça de um torcedor que já não sabe se compra ingresso ou marca consulta com um psiquiatra.
E quais seriam as razões?
O calendário brasileiro? É uma hipótese respeitável. Três competições simultâneas exigem preparo físico, inteligência e elenco numeroso. Mas calendário apertado não é novidade. Todos os grandes disputam campeonatos simultâneos. Não dá para transformar o calendário em advogado de defesa toda vez que a bola não entra.
O excesso de poupar jogadores? Aqui a conversa engrossa! Preservar atletas é necessário, mas poupar demais pode custar caro. Futebol não é aposentadoria remunerada, na qual o sujeito recebe para descansar. Jogador precisa de ritmo, entrosamento e sequência. Não adianta colocar onze jogadores em campo e esperar que descubram, por telepatia, onde está o companheiro.
Simplesmente ruindade? Também não vamos exagerar. Esse mesmo grupo chegou à final da Sul-Americana e à semifinal da Copa do Brasil. Portanto, qualidade existe. O problema é que talento sem aplicação vira enfeite de vitrine. E camisa bonita não ganha dividida, não marca adversário e muito menos faz gol.
Falta de sorte? Uma derrota pode ser azar. Duas, coincidência. Cinco consecutivas já exigem investigação. Quando o sujeito tropeça cinco vezes na mesma pedra, talvez seja melhor olhar para o chão!
O que parece existir é uma combinação perigosa: desgaste físico, queda de concentração, decisões equivocadas, falta de eficiência ofensiva e problemas de organização. O Galo tem tido dificuldades para transformar posse de bola em oportunidades realmente perigosas. Ter a bola não significa ter o jogo. Se fosse assim, o dono da bola seria sempre campeão.
E o Barba? Precisa mostrar que, além de barba, tem navalha para cortar os problemas. É hora de encontrar uma formação, recuperar a confiança e fazer os jogadores entenderem que decisão não se disputa com o nome estampado nas costas da camisa.
É verdade que o Atlético continua vivo em três frentes: Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana. E há possibilidades de chegar à Libertadores de 2027 por diferentes caminhos. Mas convenhamos: classificação não enche sala de troféus!
A torcida não está pedindo três diplomas de participação. Quer taça! Quer comemorar! Quer ver jogador suar a camisa, diretoria assumir responsabilidades e treinador justificar a confiança recebida.
Se terminar a temporada sem conquistar pelo menos um título, apesar das oportunidades que se apresentaram, Barba, diretoria e, principalmente, jogadores, preparem os ouvidos: a jurupoca vai piar! E não será um passarinho cantando na janela. Será uma escola de samba inteira cobrando explicações na porta da Arena MRV.
E agora, o Grêmio!
Sábado, na Arena MRV, não haverá espaço para discurso bonito, estatística consoladora ou promessa de redenção para o ano que vem. Depois dos 2 a 0 sofridos em Porto Alegre, o Atlético precisa vencer por três gols de diferença para chegar diretamente à final. Se ganhar por dois, a decisão vai para os pênaltis.
É difícil? Evidentemente! Impossível? De jeito nenhum!
O Galo já protagonizou façanhas que fizeram muito comentarista engolir o próprio palpite. Mas, para virar esse placar, precisará de futebol, raça, inteligência e, sobretudo, competência. Não basta entrar em campo com cara de quem vai resolver. Tem que resolver!
A Arena precisa ferver, a torcida precisa empurrar e os jogadores precisam entender que o manto alvinegro não é toalha de banho para enxugar suor de derrota.
É PERDENDO QUE SE GANHA?
Às vezes, uma derrota ensina. Cinco deveriam dar um doutorado!
O Atlético ainda tem tempo de transformar a crise em combustível. Mas o tempo está acabando e a paciência do torcedor também.
Eu acredito na virada. Não por ingenuidade, mas porque ser atleticano é acreditar até quando a matemática começa a recomendar tratamento psicológico.
Domingo? Não! SÁBADO, MEU GALO! É dia de mostrar que o futebol não foi embora: apenas saiu para tomar uma cerveja e esqueceu de avisar quando voltava.
E que volte antes das seis!
Né não?
Afonso Canabrava
- Instagram: @afonsocanabrava
Afonso Canabrava nasceu na Rua São Paulo há 5 quadras do campo do Galo, aonde foi criado e aprendeu a nadar, jogar futebol e outras avenças. Foi contemporâneo dos comentários “lesco-lesco” do Kafunga, da presidência de Nelson Campos e de jogadores como Ubaldo, Dario, Reinaldo e tantos outros. Nessa época comemorou o pentacampeonato Mineiro e do Brasileirão. Torcedor contra o vento diante de uma camisa do Galo dependurada no varal, é ferrenho crítico de futebol e todas as suas nuances.
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