Renault Kwid Intense. Nem tanto, nem tão pouco

Testamos a versão intermediária Intense equilibra as virtudes e carências do recentemente renovado Renault Kwid

Renault Kwid Intense. Nem tanto, nem tão pouco
Luiza Kreitlon/AutoMotrix
Renault Kwid Intense. Nem tanto, nem tão pouco
Renault Kwid Intense. Nem tanto, nem tão pouco
Renault Kwid Intense. Nem tanto, nem tão pouco
Renault Kwid Intense. Nem tanto, nem tão pouco
Renault Kwid Intense. Nem tanto, nem tão pouco

Quando foi lançado no Brasil, em agosto de 2017, o Kwid partia de R$ 29.990 na versão básica Life, valor que fez dele o carro mais barato do Brasil. Rapidamente, superou o hatch compacto Sandero e tornou-se o Renault mais vendido do país. De quebra, também se posicionou entre os dez carros mais emplacados do mercado nacional – com as 67.233 unidades emplacadas em 2018 (5.610 por mês), terminou como o sétimo mais vendido. Contudo, com o passar dos anos, o subcompacto foi perdendo o ar de novidade e, junto dele, o protagonismo junto ao consumidor brasileiro. Em 2021, o Kwid manteve a posição de Renault mais vendido, mas com os 52.922 emplacamentos obtidos no ano – 4.410 por mês –, ocupou apenas a décima terceira posição ranking. Para tentar voltar ao “top 10”, o lançamento da linha 2023 do Kwid foi antecipada para o final de janeiro, dentro do padrão do modelo indiano, reestilizado em 2019. Contudo, até o final de abril, o Kwid totalizou 14.976 vendas, com 3.719 emplacamentos mensais. Como o mercado automotivo brasileiro apresentou uma queda generalizada este ano e a falta de componentes atrapalhou a produção de muitos modelos, o Kwid ficou na décima terceira posição no ranking. Agora, os preços partem de R$ 62.790 na versão básica Zen, passam por R$ 66.490 na Intense – que pode custar mais R$ 2.500 com teto preto e rodas de liga leve – e atingem R$ 69.990 na “top” Ousider. Na briga para ser o automóvel mais barato – ou o menos caro – do Brasil, o adversário do Kwid é o Fiat Mobi, oferecido por R$ 62.690 na versão Like a R$ 65.690 na Trekking. Em uma disputa na qual os preços definem a decisão de compra, a versão Intense parece ser a mais bem resolvida do Kwid. Pelo menos, é a mais procurada nas concessionárias.

Lançado em 2015 na Índia, o Kwid começou a ser fabricado em São José dos Pinhais (PR) em 2017. Com os mesmos 3,68 metros de comprimento, 1,58 metro de largura, 1,48 metro de altura e 2,42 metros de distância de entre-eixos da época do lançamento, o subcompacto apresentou a linha 2023 disposto a enfatizar o “espírito SUV” do modelo – apresentado com o slogan “o SUV dos compactos”. A altura em relação ao solo continua sendo de 18,5 centímetros, com ângulos de entrada de 24,1 graus e de saída de 41,7 graus, o porta-malas foi mantido com seus exíguos 290 litros. O conjunto de iluminação passou a ser em dois blocos, com a adição de luz de rodagem diurna em leds na parte superior – na inferior, ficam agrupados os fachos alto, baixo e os indicadores de mudança de direção, todos halógenos. A dianteira ficou mais agressiva com o novo para-choque, grade frontal esculpida ligeiramente mais larga e com elementos cromados na régua superior, com a parte inferior do para-choque na cor preta. Na traseira, as novidades são o para-choque e as lanternas em leds. No interior, o painel de instrumentos ganhou mostradores em leds e o console central tem detalhes na cor preta brilhante nas saídas de ar e na moldura do novo sistema multimídia Media Evolution. Na versão Intense, as rodas de 14 polegadas usam calotas, que dão a impressão de serem de liga leve.

Sob o capô, foi mantido o motor 1.0 SCe (Smart Control Efficiency), com três cilindros, 12 válvulas, duplo comando de válvulas e bloco em alumínio. Ele foi recalibrado e entrega uma potência de 71 cavalos com etanol e 68 cavalos com gasolina – ganhou um e dois cavalos adicionais, respectivamente. O torque foi praticamente mantido: dez kgfm com etanol (0,2 kgfm extras) e os mesmos 9,4 kgfm com gasolina. O Kwid sempre trouxe quatro airbags (dois frontais e dois laterais) em todas as versões. Na linha 2023, incorporou controle eletrônico de estabilidade, assistente de partida em rampa e aviso de cintos de segurança não afivelados para todos os ocupantes do banco traseiro. Segundo o Inmetro, com etanol, o Kwid registra 10,8 km/l na cidade com etanol e 15,3 km/l com gasolina. Na estrada, os índices são de 11 km/l (etanol) e 15,7 km/l (gasolina). O sistema Start&Stop, que desliga o automóvel automaticamente em semáforos ou em outras paradas prolongadas, proporciona uma economia de até 5% de combustível no trânsito urbano, de acordo com a Renault. Outras tecnologias aliadas ao consumo de combustível foram a adoção dos sistemas ESM (Energy Smart Management) de regeneração de energia e de monitoramento da pressão dos pneus (TPMS) – que, por sinal, são de baixa resistência de rolagem, para reduzir ainda mais o consumo.

O “recheio” da versão Intense parece ser o que melhor se justifica na linha Kwid. Aos itens disponíveis desde a básica Zen – indicador de temperatura externa, computador de bordo, tacômetro, direção elétrica, ar-condicionado, Rádio Continental 2DIN (Bluetooth, USB, AUX) com dois alto-falantes, travas elétricas das portas e vidros dianteiros elétricos –, a Intense acrescenta maçanetas externas na cor da carroceria, retrovisores em preto brilhante, calotas Wheel de 14 polegadas, espelhos elétricos, chave tipo canivete, câmera de ré, Media Evolution com tela de 8 polegadas, comando satélite de áudio e lanternas com assinatura em leds. Em relação à topo de linha Outsider, a Intense deixa de receber as barras de teto, molduras de proteção lateral, os skis frontais e traseiros, bancos com detalhes na cor Verde Citron, rodas de liga leve diamantadas de 14 polegadas e o teto biton.

Experiência a bordo

Ausências e presenças

Desde o início, o Kwid chamou a atenção por seu estilo despojado. E a linha 2023 preserva o padrão. O subcompacto continua a não oferecer regulagens de altura e distância para o volante e de ajuste de altura para o banco do motorista, espelho no para-sol do condutor e sensores de estacionamento. Também não há vidros elétricos para os ocupantes traseiros. Há coisas que até estão presentes, mas em lugares incomuns – como os ajustes dos vidros dianteiros (ficam abaixo da tela do multimídia, em um posicionamento pouco intuitivo) e os pinos das portas são bem salientes, como nos carros antigos. No banco traseiro, pessoas de alta estatura não viajam confortavelmente e o espaço é pequeno para mais de dois adultos – um quinto passageiro causaria incômodo generalizado. Com apenas dois alto-falantes, a qualidade do som não é das melhores.

Porém, o pequeno Renault na versão Intense traz alguns aprimoramentos. O acabamento da cabine segue totalmente em plástico, entretanto, detalhes em black piano buscam elevar a percepção de qualidade. A nova central multimídia tem uma tela de 8 polegadas, capacitiva e com interface simples e intuitiva. Oferece espelhamento para celulares com Android Auto e Apple CarPlay, permitindo usar aplicativos como Spotify, Waze e Whatsapp. Também no multimídia é disponibilizado o Driving Eco2, que detecta o modo de condução do motorista e fornece dicas para poupar combustível. O ar-condicionado eficiente e a boa visibilidade habituais do Kwid foram preservadas.

Impressões ao dirigir

Criaturinha da cidade

Com apenas 3,68 metros de comprimento e 820 quilos de peso em ordem de marcha, o Kwid é um carro ágil no trânsito das grandes cidades. Arranca rápido e oferece um comportamento esperto. Na linha 2023, até evoluiu nesse aspecto. Segundo a Renault, a aceleração de zero a 100 km/h com etanol passou de 14,7 segundos para 13,2 segundos. O nível de vibração produzido pelo propulsor de três cilindros parece ter sido reduzido em marcha lenta, com um funcionamento menos áspero. O isolamento acústico foi aprimorado, mas quando o motorista acelera, o ruído gerado do “powetrain” ainda invade a cabine. As relações curtas da transmissão favorecem as retomadas, contudo, os engates da alavanca são longos e pouco precisos. Os freios são a disco no eixo frontal e a tambor atrás e funcionam com precisão.

A calibração sutilmente mais rígida da suspensão, combinada aos bons ângulos de entrada e saída e elevado vão livre em relação ao solo, possibilita que valetas e lombadas sejam transpostas sem muito estresse. A direção eletricamente assistida é leve, mas poderia ser mais direta. Bom para manobrar nos engarrafamentos, o tamanho reduzido também facilita a tarefa de estacionar, mesmo em vagas subdimensionadas. A proposta do “carrinho” da Renault é ser um veículo urbano – e isso ele cumpre. Ficou ainda mais econômico com o Start&Stop e o ESM (Energy Smart Management), de regeneração de energia. O assistente de partidas em rampa e o controle de estabilidade elevaram o padrão de condução do Kwid 2023 nas cidades. Já no uso rodoviário, o modelo mais vendido da marca francesa não transmite uma sensação muito tranquilizadora em velocidades mais altas – o ruído e a trepidação ficam elevados. Para quem roda prioritariamente em ruas e avenidas, em tempos nos quais os compactos ultrapassam sem cerimônias os R$ 100 mil, o Kwid tem seus atrativos – especialmente no aspecto racional.

Ficha Técnica

Renault Kwid Intense

Motor: três cilindros em linha 1.0, 12V, 999 cm3, flex

Potência: 71 cavalos com etanol e 68 cavalos com gasolina a 5.500 rpm

Torque: 10 kgfm com etanol e 9,4 kgfm com gasolina

Câmbio: manual, 5 marchas

Direção: elétrica

Suspensões: MacPherson na dianteira e eixo de torção na traseira

Freios: disco sólido na dianteira e tambor na traseira

Tração: dianteira

Dimensões: 3,68 metros de comprimento, 1,58 metro de largura, 1,48 metro de altura e 2,42 metros de distância de entre-eixos

Pneus: 165/70 R14

Porta-malas: 290 litros

Tanque: 38 litros

Peso: 825 kg

Preço inicial da versão Intense: R$ 66.490