Pesquisa da CNI mostra potencial de economia e baixa adesão entre pequenas empresas
Metade das indústrias brasileiras que ainda compram energia diretamente das distribuidoras não sabe se pode migrar para o Mercado Livre de Energia. O desconhecimento pode representar uma perda de competitividade, principalmente para empresas de menor porte.
Os dados são da Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com as federações estaduais. Segundo o levantamento, 83% das indústrias consideram a energia elétrica um fator determinante para a competitividade.
O custo da energia também tem pesado sobre a produção. Nos últimos 12 meses, 67% das empresas entrevistadas afirmaram ter sido impactadas pelas oscilações das tarifas.
Por outro lado, os resultados mostram que a migração para o mercado livre pode gerar economia. Entre as indústrias que já deixaram o mercado cativo, 73% conseguiram reduzir os gastos com energia. Para 23% delas, a economia ficou entre 10% e 20%.
A migração é apontada ainda como a principal estratégia para reduzir custos com energia por 30% das empresas do setor.
Pequenas empresas ainda aderem menos
A diferença de adesão ao mercado livre é maior quando o porte das empresas é considerado. Enquanto 63% das grandes indústrias já negociam energia no ambiente livre, o percentual cai para apenas 22% entre as pequenas.
Para o coordenador de Mercado de Energia da FIEMG,Sérgio Pataca, a falta de informação pode prejudicar principalmente pequenas e médias empresas.
“A energia elétrica é um insumo crítico para a produção. Quando uma pequena ou média indústria deixa de migrar por falta de conhecimento técnico ou regulatório, ela abre mão de uma redução de custos direta que poderia ser reinvestida na modernização do negócio e na geração de empregos”, afirma.
Desde janeiro de 2024, todos os consumidores conectados em alta ou média tensão, classificados como Grupo A, podem escolher o ambiente de contratação livre, independentemente do volume de energia consumido.
A abertura foi estabelecida pela Portaria Normativa nº 50/2022, do Ministério de Minas e Energia (MME). Dessa forma, uma micro ou pequena indústria pode migrar desde que sua unidade seja atendida em alta ou média tensão.
Como funciona o mercado livre
No mercado cativo, a empresa compra energia da distribuidora responsável pela região e paga tarifas definidas pelo ambiente regulado.
No Mercado Livre de Energia, o consumidor pode escolher o fornecedor e negociar diretamente condições como preço, prazo, volume contratado, forma de pagamento e fonte de geração.
A distribuidora continua responsável pela rede e pelo transporte da energia até a empresa. O consumidor, portanto, mantém o pagamento pelo serviço de distribuição, mas passa a contratar a energia em condições negociadas no ambiente livre.
As empresas atendidas em baixa tensão ainda não estão incluídas na abertura atual. A Lei nº 15.269/2025 prevê a inclusão desse grupo em até 24 meses após sua entrada em vigor, o que leva o prazo até novembro de 2027, dependendo da regulamentação necessária.
Migração exige análise dos custos
Para empresas do Grupo A com demanda inferior a 0,5 MW, a migração ocorre por meio de uma comercializadora varejista habilitada, responsável por representar o consumidor perante a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Já as unidades com demanda igual ou superior a 0,5 MW podem escolher entre uma comercializadora varejista ou a participação direta na CCEE.
Antes de tomar a decisão, a recomendação é analisar o perfil de consumo e as condições do contrato atual, além de comparar propostas de diferentes fornecedores.
Também devem ser considerados fatores como preço, prazo, volume de energia contratado e riscos envolvidos na operação.
Desde julho de 2025, a CCEE adota um modelo simplificado de cadastro e gerenciamento dos consumidores, com integração entre distribuidoras e comercializadoras varejistas. A mudança busca reduzir etapas e tornar o processo de migração mais rápido.
Para Pataca, ampliar o conhecimento das empresas sobre o funcionamento do mercado é fundamental para aumentar a competitividade da indústria.
“Os dados comprovam que o mercado livre é a principal ferramenta ao alcance da indústria para conter a alta nos custos energéticos. A FIEMG atua para desmistificar esse processo, levando orientação técnica e apoio regulatório para que as indústrias mineiras, especialmente as PMEs, façam essa transição com segurança e ganhem eficiência”, conclui.
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