Projeções crescentes de inflação, e agora?

Júlia Biccas Massoli atua como assessora de Investimentos, auxiliando os investidores a organizarem estratégias adequadas aos seus objetivos e perfil.

Projeções crescentes de inflação, e agora?


Com inúmeros fatores agravantes da inflação, temos visto uma instabilidade maior do que estamos acostumados no tocante a renda fixa. Mas de fato, o que causa este aumento e quais seriam as formas de nos proteger desta variável?

O IPCA é uma medida de preços ao consumidor amplo, ou seja, calcula o poder de compra para uma cesta de produtos padrão de um brasileiro médio.

Mas o que pode ocasionar a alta na inflação?

  • Diminuição da capacidade produtiva

Durante a pandemia, apesar haver uma redução da capacidade produtiva, o consumo permaneceu o mesmo. Sendo assim, pudemos ver uma redução na oferta, e, portanto, um desequilíbrio: quanto maior a demanda em relação a oferta, maiores os preços.

  • Câmbio depreciado

O custo de produção é calculado em reais. Diante da depreciação do real em relação ao dólar, nossos produtos ficam mais competitivos no exterior, fazendo com que as exportações sejam estimuladas. Quanto mais exportamos, mais dinheiro entra em circulação no país, e quanto mais dinheiro em circulação, menor o valor dele.

  • Injeção de recursos

Ocorreram ao longo deste último ano auxílios emergenciais, programas de ajuda às empresas, dentre outras formas de amenizar as consequências da pandemia. Mesmo que se fazendo necessárias, tais medidas geram uma grande quantia de dinheiro em circulação fazendo com que ele perca seu valor.

  • Juros baixos

Com a taxa básica de juros, a Selic, em mínima histórica, empréstimos, financiamentos, entre outros, se tornaram mais baratos. E, novamente, aumentam a quantia em circulação, se unindo assim, as demais razões de desvalorização da nossa moeda.

Em razão desta depreciação do real, o Copom – Comitê de política monetária -  deve realizar aumentos na taxa Selic, para elevar o ‘preço do dinheiro’ e controlar este cenário em questão. Por isso, é essencial ter em portfólio para proteção, ativos atrelados à Selic.

Utilizar títulos pós fixados que sejam IPCA + uma taxa pré-fixada, se torna interessante e necessário para cobrir esta vertente. Seja via tesouro, crédito privado, ou fundos. No entanto, este tipo de ativo apenas entrega a rentabilidade pré acordada caso seja levado até o vencimento. Caso contrário, não é garantido o retorno estabelecido. 

Um pouco de perspectivas...

Semanalmente é divulgado pelo banco central o chamado Boletim Focus. Este relatório compila as expectativas do mercado a respeito dos índices descritos abaixo.

É possível notar que ao decorrer das semanas a expectativa tanto da taxa de juros, quanto da inflação, tiveram um aumento gradativo. Portanto, seguimos acompanhando e nos protegendo das possibilidades. Afinal, ninguém quer ter o seu poder de compra corrompido, certo?

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