A Política do Fim dos Tempos

Guilherme Gimenez estreia sua coluna no Balcão News

A Política do Fim dos Tempos
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Se tem uma coisa que ativa minha imaginação são filmes e séries onde há uma ruptura na vida em sociedade. É um jeito menos constrangedor de falar que gosto de filmes de zumbis e ficções pós-apocalípticas. Gosto mesmo, ninguém é perfeito. Sempre me chama a atenção como, depois do desespero do incidente apocalíptico e de muito suspense e adversidades, quem restou ali acaba se reorganizando em uma sociedade mais tribal, como num contrato social hobbesiano: aceita-se um governante opressor (Leviatã) para garantir a segurança dos demais.
Quero aqui fazer um paralelo entre essas produções cinematográficas de qualidade cultural questionável com o nosso cenário político atual (cuja qualidade é igualmente questionável). Mas já aviso que não se trata de teorias conspiratórias apocalípticas.

Temos uma chavinha em nós que, quando é virada, nos torna capazes de fazer coisas antes inimagináveis. Essa chavinha é o medo. Uma vez ativada, a sensação de segurança passa a ser buscada a qualquer custo. Quando falamos de política, qualquer marqueteiro que tenha uma mínima dose de falha de caráter sabe manusear o medo eleitoralmente, não precisa ser nenhum Goebbels para isso.

Um emaranhado de variáveis, que ficarão mais claras daqui algumas décadas, gerou recentemente uma polarização política em escala global. Mas uma das variáveis que já podemos considerar protagonista nesse processo é o algoritmo das redes sociais. A título de exemplo, se você pesquisa “roupa de academia” ou curte uma publicação nas redes de alguém que é influencer de estilo de vida fitness, prepare-se que sua tela será inundada por conteúdos semelhantes. O problema é que o mesmo acontece quando se trata de conteúdo político. Quanto mais interage com canais de comunicação cujas ideias são alinhadas com as suas, mais conteúdos do mesmo perfil ideológico você receberá em tela. O resultado é que você estará cercado apenas por opiniões próximas às suas, gerando a falsa sensação de que o mundo é só aquilo ali. Sua pequena bolha fará parecer que tudo que está fora dela é absurdo.

O resultado é gente tratando as opiniões alheias com um “para pensar assim, ou tem que estar desinformado, ou mal-intencionado”. Radicaliza-se as opiniões e cresce o medo do diferente, levando à ascensão de figuras políticas manipuladoras do medo, como os vilões das obras de ficção pós-apocalípticas. Até quando viveremos subservientes a eles? Chegou a hora de entender o funcionamento do jogo e passar a jogar bem. Se atreva a curtir conteúdos de gente que pensa diferente sem pensar que estará “ajudando o inimigo”. Se informe utilizando fontes que divergem nas análises. Se assuntos políticos estão te tirando do sério além da conta (ninguém é de ferro), se afaste um pouco das redes até se acalmar.

Por último e não menos importante, não deixe que o medo seja sua motivação política eleitoral. Quando tentarem empurrar absurdos goela abaixo com argumentos como “é agora ou nunca”, ou “se não for isso será o fim”, lembre-se de que “não há nada de novo debaixo do sol”. Não estamos na beirada do precipício. Então respira, se encha de esperança e lute pelo que acredita com perseverança e bom senso, porque mesmo na era do imediatismo, as coisas boas de verdade são construídas aos poucos, por etapas e sabendo conviver com a divergência.

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do portal Balcão News.

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