Testamos o Fiat Mobi Trekking. Fetiche de aventura

Versão Trekking tem a missão de sugerir algum charme off-road ao subcompacto urbano Fiat Mobi

Testamos o Fiat Mobi Trekking. Fetiche de aventura
Testamos o Fiat Mobi Trekking. Fetiche de aventura
Testamos o Fiat Mobi Trekking. Fetiche de aventura
Testamos o Fiat Mobi Trekking. Fetiche de aventura

Na linha 2022 do Mobi, apresentada em maio do ano passado, além do “rebranding” que acrescentou o novo logo e a bandeirinha italiana estilizada na grade frontal, a Fiat apresentou a versão Trekking. Longe de ser original, a proposta da nova configuração do subcompacto era repetir o sucesso do Argo Trekking, que em 2019 incorporou elementos de estética off-road e desde então tornou-se uma das versões mais procuradas do compacto. De fato, as configurações “aventureiras” são uma estratégia usada e abusada por praticamente todas as fabricantes de automóveis instaladas no Brasil nas últimas duas décadas. Na linha 2023, apresentada há três meses, o Mobi não teve mudanças. A versão de entrada Easy foi extinta, restando somente a Like e a Trekking. E o controle de estabilidade e de tração e o assistente de partida em rampa passaram a ser oferecidos opcionalmente no Pack Safety.

O Mobi é produzido no complexo industrial de Betim (MG) e recentemente alcançou a marca de 400 mil unidades fabricadas desde o lançamento, em 2016. Tem 3,56 metros de comprimento, 1,66 metro de largura, 1,55 metro de altura e 2,30 metros de distância de entre-eixos. Com somente 940 quilos (na versão Trekking), é um dos carros mais leves do Brasil. Dentro da proposta de reforçar a jovialidade do Mobi com detalhes de estilo, as barras longitudinais de teto ampliam a altura e deixam o carro mais imponente. A configuração vem com capota bicolor, calotas escurecidas, retrovisores com pintura black piano, adesivo preto na coluna “B” (a do meio do carro) e maçanetas na cor da carroceria. Adesivos pretos com grafismos que remetem a tatuagens tribais enfeitam o centro do capô e a parte inferior do porta-malas. A tampa do bagageiro continua a ser em vidro preto – característica que confere à traseira do Mobi um certo aspecto de “airfryer”. Levar muita bagagem pode não ser uma boa ideia, pois o porta-malas é pequeno (215 litros) e o banco traseiro não é bipartido, o que limita as possibilidades de rebatimento. As rodas são de aço estampado com medidas 5.5 x 14 polegadas com calotas integrais, calçadas com pneus com baixa resistência à rolagem 175/65 R14. O subcompacto tem 19 centímetros de altura livre em relação ao solo.

Internamente, a versão Trekking traz volante multifuncional, console de teto com porta-objetos, espelho auxiliar e central multimídia UConnect com tela sensível ao toque de 7 polegadas, espelhamento de smartphones com Android Auto e Apple CarPlay com projeção sem fio, que pode parear até dois celulares ao mesmo tempo. A tela personalizável exibe controle de todas as funções do veículo, com o sistema dando suporte a múltiplas conexões via Bluetooth e computador de bordo. A versão conta ainda com sensor de pressão dos pneus e porta-malas com tapete em carpete. Em termos de airbags, traz somente os obrigatórios frontais, para motorista e passageiro.

As duas versões do Mobi são movidas pelo mesmo motor 1.0 Fire Evo Flex aspirado com 74 cavalos de potência com etanol a 6.250 rotações por minuto e 9,7 kgfm de torque a 3.850 rpm, sempre associado ao câmbio manual de cinco velocidades. Segundo a Fiat, o subcompacto acelera de zero a 100 km/h em 13,8 segundos e pode chegar a 152 km/h com o mesmo

combustível. Para o Inmetro, o Mobi tem consumo urbano de 13 km/l com gasolina e de 8,9 km/l com etanol e rodoviário de 14,1 km/l e de 10,1 km/l, respectivamente – que rendem ao modelo um conceito A.

Se o estilo é importante em qualquer segmento de automóveis, entre os subcompactos, o preço ganha uma peso maior na decisão de compra. Na linha Mobi, a versão Like parte de R$ 63.390 e a Trekking sai por exatos R$ 3 mil a mais – começa em R$ 66.390 (no Estado de São Paulo, onde as tributações são mais elevadas, é de R$ 68.479). Contudo, o preço inicial só vale para a carroceria na cor Preto Vulcano. Nas sólidas Branco Banchisa e Vermelho Montecarlo, ambas com teto em Preto Vulcano, o preço inicial sobe R$ 850. Na sólida Cinza Strato, o aumento é de R$ 1.200. E na metálica Cinza Silverstone, a do modelo testado, a fatura aumenta em R$ 1.750.

A versão Trekking do Mobi ainda pode ser incrementada com três diferentes pacotes de opcionais. O Pack Safety acrescenta controle de estabilidade e de tração e Hill Holder (assistente de partida em aclive) e custa R$ 700. No Pack Style II, por R$ 2.200, são incluídos retrovisores externos elétricos com Tilt Down e luzes indicadoras de direção e rodas de liga leve. O Pack Top (presente no modelo avaliado) agrega faróis de neblina, volante com regulagem de altura, cintos dianteiros com regulagem de altura, comando interno de abertura do porta-mala e do tanque de combustível, alarme antifurto, retrovisores externos elétricos com Tilt Down e luzes indicadoras de direção e rodas de liga leve escurecidas, por R$ 3.800. Nos cinco primeiros meses de 2022, foram emplacadas 26.730 unidades do Mobi, que colocam o subcompacto da Fiat na posição de quarto carro de passeio mais vendido do país. Atualmente, o concorrente do Mobi é o Renault Kwid – porém, a briga promete esquentar com o lançamento do novo Citroën C3, que chegará no início do segundo semestre.

Experiência a bordo

Pensar pequeno

Apesar dos adereços lameiros da versão Trekking, o Mobi continua sendo um subcompacto urbano. Ou seja, os espaços a bordo são limitados, embora os disponíveis tenham sido bem otimizados pela engenharia da Fiat. Os ocupantes dos bancos dianteiros até contam com boas acomodações, entretanto, falta espaço para as pernas no banco traseiro e mesmo adultos de baixa estatura sentem-se oprimidos ali. Se o espaço é comedido, pelo menos há facilidade na entrada e saída devido ao grande ângulo de abertura das portas traseiras (75 graus). Uma vez acomodados, os passageiros têm nichos para armazenar pequenos objetos no console central, nas portas dianteiras e no console de teto – de série na Trekking.

A central multimídia UConnect de 7 polegadas adotada no Mobi Trekking é a mesma que equipa as picapes Toro e Strada e funciona de forma razoavelmente intuitiva. A interatividade do usuário com o veículo é aprimorada por meio das funções de navegação via Waze e Google Maps, música (streaming/MP3), reconhecimento de voz (Siri/Google Voice), leitura e resposta de mensagem “handsfree” para SMS e WhatsApp e integração com calendário.

Impressões ao dirigir

O peso da leveza

Pesar somente 940 quilos dá ao Mobi Trekking vantagens tanto na economia de combustível quanto no desempenho. Com seu veterano motor aspirado 1.0 Fire Evo Flex com 74 cavalos e 9,7 kgfm com etanol, o “carrinho” não chega a empolgar em termos de esportividade, porém, se mostra ágil na maioria das situações no trânsito urbano. Nas subidas íngremes, principalmente se o carro estiver cheio, é necessário reduzir marchas e acelerar forte para manter o embalo. A direção é suave, apesar de ser hidráulica – os compactos mais recentes contam com assistência elétrica. A leveza do Mobi permite que o volante seja movimentado sem maior esforço nas manobras lentas e na hora de estacionar. Seus 3,56 metros de comprimento fazem que caiba com folga em qualquer vaga e consiga se deslocar nas eventuais frestas dos engarrafamentos. O câmbio manual de cinco marchas até tem engates macios, mas são pouco precisos e o curso é um tanto longo.

Os 19 centímetros de altura em relação ao solo e o ângulo de entrada de 24 graus permitem transpor os obstáculos típicos das grandes cidades brasileiras, como valetas, lombadas e buracos. Apesar do que inspira o nome da versão, situações de off-road devem ser evitadas – os finos pneus de 14 polegadas não colaboram nesse aspecto. Já no uso rodoviário, a trepidação a bordo acima dos 100 km/h desestimula velocidades de cruzeiro elevadas. Além disso, nas estradas, às vezes falta fôlego ao “powertrain” quando é preciso esticar as marchas, o que exige atenção maior nas ultrapassagens. Na linha 2023, o motor Fire recebeu evoluções tecnológicas para melhorar sua eficiência e pode rodar até 14 km/l de gasolina em uso rodoviário de acordo com o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro. Com seu tanque de 47 litros, se tiver um motorista com estilo pacato de dirigir, o Mobi consegue percorrer cerca de 700 quilômetros sem visitar os postos de combustíveis. Uma virtude que anda em alta nos últimos tempos, graças aos preços cada vez mais extorsivos cobrados pelos combustíveis no Brasil.

Ficha Técnica

Fiat Mobi Trekking

Motor: 1.0 Fire Evo Flex aspirado, 999 cm³, quatro cilindros, injeção multiponto

Potência: 74 cavalos com etanol e 71 cavalos com gasolina a 6.250 rpm

Torque: 9,7 kgfm com etanol e 9,3 kgfm com gasolina a 3.250 rpm

Câmbio: manual de 5 marchas

Tração: dianteira

Direção: hidráulica

Suspensão: dianteira tipo MacPherson, roda tipo independente e molas helicoidal, traseira tipo eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidal

Carroceria: hatch subcompacto com quatro portas e cinco lugares

Dimensões: 3,56 metros de comprimento, 1,68 metro de largura, 1,54 metro de altura, 2,30 metros de entre-eixos

Peso: 940 quilos

Tanque: 47 litros

Porta-malas: 215 litros

Preços: R$ 66.390, na cor Preto Volcano (em São Paulo, por conta das diferenças tributárias, o preço parte de R$ 68.479) e R$ 68.140 na cor metálica Cinza Silverstone com teto Preto Vulcano (a do modelo testado). O Pack Top (presente no modelo avaliado) acrescenta R$ 3.800.